A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2028 subiu de 13,90% a 13,94% e a do DI para janeiro de 2031 anotou alta de 14,53% a 14,59% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros sobem com pressão da alta dos Treasuries e do petróleo — Foto: Gerd Altmann/Pixabay Os juros futuros encerraram o pregão desta quinta-feira (20) em alta, mantendo a mesma dinâmica desde o começo da sessão em meio à pressão exercida pelo mercado de renda fixa dos Estados Unidos e pelo avanço dos preços do petróleo. No caso dos Treasuries, as taxas americanas voltaram a subir apenas um dia depois de o Departamento do Tesouro americano tentar conter o estresse ao anunciar o aumento do limite de operações de recompra de títulos de longo prazo. Já o petróleo reagiu a novas ameaças de Donald Trump sobre um cerco econômico contra o Irã, afastando ainda mais a perspectiva de um acordo que reabra o Estreito de Ormuz. Com isso, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 ficou estável entre o ajuste de ontem e o de hoje, a 13,725%. Já a taxa do DI de janeiro de 2028 subiu de 13,90% a 13,94%; a do DI de janeiro de 2029 avançou de 14,22% para 14,275% e a do DI de janeiro de 2031 anotou alta de 14,53% a 14,59%. Na reta final da sessão no mercado de Treasuries, a taxa da T-note de dez anos subiu de 4,650% a 4,705% e a do T-bond de 30 anos avançou de 5,195% para 5,250%. Após uma primeira parte de pregão mais movimentada, o período da tarde apresentou menos volatilidade e serviu para que as taxas, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, se afastassem das máximas intradiárias. A melhora, contudo, não se traduziu em uma reversão completa do estresse que se arrastou desde os primeiros minutos de negociações. Antes mesmo do mercado de juros abrir no Brasil, as movimentações no exterior já apontavam para alguma recomposição de prêmios após o alívio de ontem. Declarações do presidente americano, Donald Trump, acirraram as tensões com o Irã e levaram o petróleo tipo Brent, referência global da commodity, a superar o nível de US$ 94 por barril. Segundo Trump, os EUA irão lançar “a mais devastadora operação econômica já tomada contra qualquer país”, mas o presidente americano não deu detalhes sobre as medidas. Depois disso, as taxas dos Treasuries pioraram e a renda fixa doméstica acompanhou o movimento, enquanto investidores devolviam boa parte do alívio observado ontem, quando o Departamento do Tesouro dos EUA elevou o limite para operações de recompra de títulos de longo prazo de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões. Em entrevista à CNBC, Scott Bessent, secretário do Tesouro americano, afirmou que as operações podem até exceder o limite anunciado ontem e que a medida anunciada ontem teve também um caráter de sinalização ao mercado. Ele ainda disse que a decisão não tem relação com o nível atual dos juros de longo prazo nos EUA, que recentemente bateram as máximas desde 2007. “Não é surpreendente constatar que qualquer queda inicial nas taxas dos Treasuries de longo prazo tenha se erodido, à medida que as taxas voltaram a subir acima de 5,25%. Os esforços de Bessent para conter a parte longa da curva foram seguidos por rumores sobre uma maior coordenação entre o Departamento do Tesouro e o Federal Reserve (Fed)”, dizem, em relatório, Ian Lyngen, Vail Hartman e Delaney Choi, analistas de renda fixa do BMO Capital Markets. Vale lembrar que o mercado nutre a visão de que o atual presidente do Fed, Kevin Warsh, busca controlar a inflação estimulando um aumento dos juros de longo prazo nos EUA, de forma a evitar subir a taxa dos Fed funds. “As críticas às tentativas de Bessent de conter os rendimentos dos títulos de prazo mais longo são relativamente diretas — afinal, são a magnitude do déficit e as necessidades de financiamento que estão impactando os Treasuries como classe de ativos, e não os padrões de emissão (e recompra) específicos do setor”, acrescentam os profissionais. Para o secretário do Tesouro americano, há uma “precipitação” do mercado em relação à dívida pública dos EUA, e as taxas hoje não refletem os “fundamentos” da situação fiscal no país. Com o foco voltado ao exterior, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que ofertou lotes grandes de LTN e NTN-F que totalizaram 21,65 milhões de papéis, ficou em segundo plano. Apesar dos volumes robustos, o leilão foi bem aceito pelos operadores, que absorveram integralmente a oferta a taxas mais baixas do que o previsto - com exceção do lote de 7 milhões de LTN para abril de 2027. Em nota publicada hoje, Fernando Ferez, estrategista de renda fixa da Necton Investimentos, destaca que o Tesouro emitiu cerca de R$ 52 bilhões nesta semana, montante que representa um aumento de 20% ante a semana passada e de 60% em relação à média semanal de 2026. Na sua avaliação, o Tesouro se mantém com uma postura de “tomador de preço”, ofertando papéis sempre que há demanda dos investidores, de forma a aproveitar as janelas de oportunidade a despeito de um ano difícil para a renda fixa. “O que fica claro no gerenciamento atual é a busca pela manutenção da rolagem integral ou superior, tendo como consequência a preservação do colchão de liquidez em níveis elevados”, diz Ferez.