A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2028 subiu de 14,045% a 14,12% e a do DI para janeiro de 2031 escalou de 13,995% a 14,37% juro; juros; porcentual; percentual — Foto: Gerd Altmann/Pixabay Os juros futuros encerraram em alta nesta terça-feira (7), especialmente os de longo prazo, pressionados pela alta do petróleo e pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos, após o país revogar a licença que autorizava a venda de petróleo iraniano. O movimento levou a uma forte reprecificação dos ativos, em meio ao aumento da aversão a risco global, e pressionou a curva doméstica depois de as taxas terem rondado a estabilidade durante boa parte da sessão, com investidores atentos à postura do Tesouro Nacional em relação ao mercado de NTN-Bs. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 caiu de 14,32%, do ajuste da véspera, para 14,015%; a do DI de janeiro de 2028 subiu de 14,045% a 14,12%; a do DI de janeiro de 2029 avançou de 14,19% para 14,275% e a do DI de janeiro de 2031 escalou de 13,995% a 14,37%. Diante das incertezas sobre um cessar-fogo mais duradouro entre Washington e Teerã, os preços do petróleo encerram em forte alta com a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O contrato do Brent com entrega em setembro subiu 3,01%, cotado a US$ 74,16 por barri em Londres, e chegou a subir mais de 5% após o fechamento no mercado à vista. Os rendimentos dos Treasuries americanos, por sua vez, dispararam. No horário citado, a da T-note de dez anos tinha alta de 4,474% para 4,551%, enquanto a da T-bond de 30 anos avançava de 4,988% para 5,030%. O dólar comercial também encerrou em forte alta ante o real, com avanço de 0,39%, a R$ 5,1522. Pela manhã, os ataques do Irã a dois navios comerciais no Estreito de Ormuz, na noite de ontem, e a uma terceira embarcação nesta terça-feira elevaram a cautela dos investidores e pressionaram os ativos globais. As taxas futuras locais, porém, passaram a rondar a estabilidade no início da tarde e, na ponta longa, chegaram a operar em leve queda após declarações do Tesouro Nacional. As falas do subsecretário da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Francisco Segundo, à Bloomberg, de que o órgão teria caixa para enfrentar episódios de estresse e poderia recomprar NTN-Bs, os títulos públicos atrelados à inflação, ajudou a tranquilizar os investidores. A sinalização reforçou o discurso já adotado na sexta-feira pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, quando causou um movimento de forte alívio na curva de juros futuros. O órgão adotou uma postura conservadora no leilão de NTN-Bs, mantendo a oferta simbólica de 150 mil papéis. Diferentemente da semana passada, conseguiu vender todo o lote, sem gerar pressão sobre as taxas. Embora parte dos agentes considere o mercado de NTN-Bs disfuncional, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, afirma que o apetite por títulos prefixados e por alguns vencimentos das NTN-Bs mostra que o mercado segue funcionando, ainda que longe do cenário ideal. “A disfuncionalidade ocorre quando não há ponta compradora. Ainda existe alguma demanda, especialmente nos vértices de 2030 e 2035. Se olharmos apenas para o mercado de NTN-Bs, a situação está bastante ruim. Mas, para afirmar que o mercado está disfuncional, seria preciso que o mercado de títulos como um todo estivesse nessa condição, e não é o caso”, afirma o economista. Na avaliação de Tavares, a piora do ambiente global, somada ao contexto doméstico, aumentou a aversão ao risco em relação aos ativos brasileiros. Segundo ele, o movimento foi provocado por uma combinação de fatores, como a deterioração das expectativas em torno das eleições no Brasil e a mudança de postura do Federal Reserve (Fed), que passou a adotar um tom mais “hawkish” (inclinado a um aperto monetário). “O mercado não está disfuncional. O cenário é que está ruim”, acrescenta. O economista avalia, ainda, que as sinalizações verbais do Tesouro são positivas, por indicarem que a autoridade acompanha o problema de perto. “Seria preciso entender quais seriam as condições de compra em uma eventual intervenção nas NTN-Bs, mas o Tesouro tem mérito por tentar endereçar o problema que está colocado. Se é a melhor decisão, eu não sei, porque é uma questão muito delicada. O mercado está parado e o Tesouro não consegue emitir NTN-B”, completa.
Juros de longo prazo têm alta forte com aumento de tensões geopolíticas
A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2028 subiu de 14,045% a 14,12% e a do DI para janeiro de 2031 escalou de 13,995% a 14,37%






