A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2028 avançou de 14,15% para 14,20% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,385% para 14,485% Juros futuros têm forte alta com escalada do petróleo — Foto: River He/Pexels Os juros futuros encerraram em forte alta nesta quarta-feira (8), com maior pressão nos vencimentos intermediários, mas se afastaram das máximas após a desaceleração dos preços do petróleo. No momento de maior tensão dos mercados, o petróleo tipo Brent chegou a tocar os US$ 80 por barril, impulsionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que adotaria medidas que poderiam elevar o preço da commodity, horas depois de afirmar que novos ataques seriam conduzidos contra o Irã ainda hoje. No fim das negociações, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento para janeiro de 2027 anotou leve alta de 14,04%, do ajuste anterior, para 14,055%; a do DI de janeiro de 2028 avançou de 14,15% para 14,20%; a do DI de janeiro de 2029 subiu de 14,285% para 14,380% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,385% para 14,485%. O recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou a aversão a risco global, à medida que a disputa retórica entre os dois países se intensificava. Na terça-feira, ataques atribuídos ao governo de Teerã no Estreito de Ormuz levaram Washington a retaliar com a revogação da licença para a venda de petróleo iraniano, aumentando a volatilidade nos preços da commodity. Na madrugada desta quarta-feira, o cenário ganhou novos contornos após o presidente americano, Donald Trump, afirmar que o memorando de entendimento firmado com o Irã havia acabado, além de ameaçar novos ataques e dizer que poderá restabelecer um bloqueio aos portos iranianos. As declarações levaram o Brent a superar os US$ 80 por barril no momento de maior pessimismo. Nesse contexto, o principal fator de atenção dos mercados segue sendo a possibilidade de interrupção do escoamento da produção de petróleo pelo Estreito de Ormuz, afirma o diretor de investimentos da MAG, Claudio Pires. "Claramente os Estados Unidos querem encerrar a guerra com alguns ganhos, enquanto o Irã tem dificultado essa etapa." Pires destaca que se trata de um choque de oferta, com os preços do petróleo subindo rapidamente, e que isso pode endurecer a postura das principais autoridades monetárias mundiais. "Hoje, os bancos centrais, principalmente dos países desenvolvidos, não estão tão lenientes com a inflação quanto estiveram durante a pandemia. Eles parecem muito mais preparados para combater esse tipo de choque de oferta”, destaca. Na avaliação de Pires, esse cenário tende a reduzir o espaço para cortes de juros nos Estados Unidos e reforça o viés mais contracionista do Federal Reserve (Fed), evidenciado pela chegada de Kevin Warsh ao comando da autoridade monetária. Segundo o executivo, o novo presidente do banco central americano tem dado sinais de maior preocupação com o combate à inflação. "Ele disse que o nível de inflação de um país é uma escolha do banco central, desde que a política monetária funcione e a instituição seja independente. A mensagem foi de que o banco central está pronto para agir." Pires ressalta, porém, que, após a primeira reunião de Warsh, durante o fórum de Sintra, o discurso foi menos duro porque o petróleo negociava perto de US$ 70 por barril, em um contexto bastante diferente do atual. Com a nova escalada das tensões geopolíticas, avalia, o Fed pode voltar a endurecer o tom. No Brasil, o diretor vê um Banco Central disposto a manter um ciclo gradual de flexibilização monetária e menos reativo aos choques de curto prazo. Na avaliação dele, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de alongar o horizonte relevante e manter os cortes da Selic, mesmo em um ambiente de elevada incerteza, ajuda a explicar por que os juros futuros locais reagiram de forma menos intensa nesta sessão do que no início do conflito.