A taxa do DI para janeiro de 2028 avançou de 13,915% a 13,935% e a do DI de janeiro de 2031 anotou alta de 14,43% para 14,48% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros sobem com mau humor persistente em meio a risco eleitoral — Foto: Karolina Grabowska/Pexels Os juros futuros encerraram o pregão desta quarta-feira (12) em alta, estendendo o movimento da véspera à medida que os investidores reprecificam os prêmios de risco da renda fixa brasileira com a proximidade das eleições presidenciais de outubro. Mesmo diante de um pregão ameno no exterior, as taxas domésticas não encontraram fôlego para devolver, ao menos parcialmente, a forte alta da véspera, dando sequência à aparente falta de apetite dos investidores locais e estrangeiros por ativos brasileiros. Encerrados os negócios, a taxa do do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 oscilou de 13,76%, do ajuste de ontem, para 13,755%; a do DI de janeiro de 2028 avançou de 13,915% a 13,935%; a do DI de janeiro de 2029 subiu de 14,195% a 14,25% e a do DI de janeiro de 2031 anotou alta de 14,43% para 14,48%. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dois anos encerrou em queda de 4,226% a 4,207%, enquanto a do título da dívida pública americana com vencimento de dez anos teve alta modesta de 4,696% para 4,702%. Nem mesmo dados de inflação nos EUA alinhados com a expectativa do mercado foram suficientes para impedir mais um pregão de perdas para o mercado doméstico de juros. Por lá, o índice de preços ao consumidor (CPI) anotou alta de 0,1% em julho ante junho, enquanto o núcleo subiu 0,2%, números que confirmaram a mediana das projeções de economistas e geraram algum alívio no mercado de Treasuries. A princípio, a renda fixa brasileira até seguiu o movimento positivo visto no exterior. No entanto, assim que as negociações à vista começaram em Nova York, os juros futuros apagaram a queda observada na primeira hora de pregão e passaram a oscilar entre a estabilidade e leve alta, tendência que ainda se deteriorou um pouco mais na reta final da sessão. “O CPI ficou em linha com as expectativas, contribuindo para que a curva fechasse (taxas caíssem) um pouco logo após a divulgação, mas isso não foi suficiente para compensar o fluxo tomador (que aposta na alta dos juros) que temos observado no Brasil nos últimos dias, o qual continuou hoje”, relata um integrante da tesouraria de um banco local. A piora do mercado local - que não se limitou apenas às taxas - junto com o início do pregão nos EUA reitera a impressão de que há um mau humor generalizado de investidores estrangeiros com ativos brasileiros à medida que reprecificam os prêmios de risco ligados às eleições. Ontem, o rebaixamento da recomendação do J.P. Morgan sobre ações locais desencadeou um forte movimento de venda que afetou todas as principais classes de ativos domésticos, piora que não se reverteu hoje. “O que, para mim, mostra que é uma saída permanente, ou ao menos até que a eleição passe, é o dia seguinte. Bolsa e dólar parecem ter mudado de patamar e não vão voltar no curto prazo. Parece que não tem mais o vendedor de ontem, mas tampouco tem um comprador a preços melhores. Essa é a sensação olhando os preços hoje”, diz Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, em postagem nas redes sociais. Por ora, a saída de investidores estrangeiros dos mercados locais não produziu um estresse suficiente para alterar de forma relevante as perspectivas do mercado para a taxa Selic no curto prazo. Há, ainda, a expectativa por outro corte de juros na decisão de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), que pode ser seguido por outra redução em novembro. No mercado de opções digitais de Copom, os agentes terminaram o dia precificando 75% de chance de um corte de 0,25 ponto percentual - o que levaria a Selic a 13,75% - contra apenas 23% para manutenção do juro básico no mês que vem. Já para a reunião seguinte do colegiado, em novembro, os percentuais ficaram em 51% para taxa estável e 34,5% para mais uma redução de 0,25 ponto.