A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 teve alta de 13,895%, do ajuste anterior, para 13,960% e a do DI para janeiro de 2031 avançou de 14,325% a 14,525% Juros futuros disparam com tensão geopolítica e ajuste de posições — Foto: Karolina Grabowska/Pexels Os juros futuros dispararam nesta sexta-feira (17), especialmente nos vencimentos intermediários, diante da piora do cenário geopolítico e da escalada dos preços do petróleo. Com altas de até 23 pontos-base, as taxas refletiram a reação dos investidores a notícias que apontam para um agravamento do conflito no Oriente Médio, levando a um ajuste de posições antes do fim de semana. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 teve alta de 13,895%, do ajuste anterior, para 13,960%; a do DI de janeiro de 2028 subiu de 13,905% a 14,100%; a do DI de janeiro de 2029 avançou de 14,105% para 14,335% e a do DI de janeiro de 2031 escalou de 14,325% a 14,525%. Os preços do petróleo aceleraram os ganhos e atingiram as máximas intradiárias após o site Axios informar que o governo americano está enviando dezenas de aeronaves de reabastecimento para Israel. A notícia reforçou os temores de novos ataques nas próximas horas e voltou a pressionar os mercados de energia. No pregão regular, o Brent para setembro fechou em alta de 4,59%, a US$ 88,10 por barril, enquanto o WTI para agosto avançou 4,48%, a US$ 82,49. Na avaliação de operadores, parte do mercado reduziu a exposição aos contratos prefixados diante do receio de um agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. Nos Estados Unidos, o rendimento dos Treasuries de dois anos passou de 4,158% para 4,183%, enquanto o da T-note de dez anos recuou de 4,559% para 4,557%. Nesse cenário, após um período de forte alívio, a curva de juros voltou a mostrar sinais de pressão na ponta longa, avalia o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares. Em nota, ele destaca que, embora as taxas dos contratos futuros de curto prazo e dos títulos prefixados ainda acumulem queda expressiva nos últimos 30 dias úteis, os vencimentos mais longos voltaram a subir, indicando uma inclinação da curva. “O vencimento de 2027 acompanhou o alívio do mês, com queda acumulada de 44,6 pontos-base, enquanto o papel com vencimento em janeiro de 2037 registrou alta de 10,2 pontos-base no último pregão, refletindo a pressão na ponta longa”, afirma o economista. Nos títulos indexados à inflação, a inflação implícita voltou a subir nos prazos mais curtos, sugerindo uma recomposição dos prêmios de risco. O vértice de 2027, por exemplo, avançou 23,9 pontos-base em dez dias úteis e 5,4 pontos-base no pregão passado, segundo Tavares. Além do cenário externo, os participantes do mercado seguem atentos à política fiscal brasileira. Conforme noticiou o Intraday, blog de mercados do Valor, integrantes do Tesouro se reuniram com participantes do mercado em um almoço e um jantar na quinta-feira. Segundo fontes presentes nos encontros, o Tesouro buscou reforçar que não há um problema de caixa no momento. Houve, porém, a sinalização de que podem ocorrer mudanças nas bandas estabelecidas no Plano Anual de Financiamento (PAF) para a composição da dívida, diante da avaliação de que será difícil cumprir as metas definidas no início do ano para a emissão de títulos prefixados e de NTN-Bs. Nesse contexto, o Société Générale rebaixou a recomendação para o real de positiva para neutra, citando a crescente preocupação com os riscos políticos e fiscais no Brasil, especialmente no período pré-eleitoral. Os mesmos fatores também levaram o banco a ajustar o "stop" da posição aplicada em DI de janeiro de 2028, limitando eventuais perdas para preservar parte dos ganhos acumulados.