A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 caiu de 14,025%, do ajuste anterior, para 13,96% e a do DI para janeiro de 2031 anotou queda de 14,82% a 14,625% Juros futuros recuam de olho em cenário geopolítico e falas de Galípolo — Foto: Declan Sun/Unsplash Os juros futuros terminaram o pregão desta sexta-feira (24) em forte queda, que reverteu todo o estresse da véspera. O ajuste nos prêmios de risco ligados à guerra no Oriente Médio, diante de sinais de possível retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã, foi o principal fator que moveu as taxas para baixo neste pregão. As falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também podem ter apoiado a dinâmica positiva do mercado local de renda fixa. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 caiu de 14,025%, do ajuste anterior, para 13,96%; a do DI de janeiro de 2028 cedeu de 14,385% a 14,165%; a do DI de janeiro de 2029 baixou de 14,68% para 14,455% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,82% a 14,625%. Nos Estados Unidos, a taxa da T-note de dez anos recuou de 4,700% para 4,687%, ao passo que a da T-note de dois anos cedeu de 4,355% a 4,352%. Segundo participantes do mercado, a dinâmica positiva dos mercados de juros - que se manteve firme desde o início do pregão - se fortaleceu após a imprensa internacional relatar que o Irã e o Paquistão estão explorando alternativas junto à China para voltar a negociar um cessar-fogo na guerra travada pelo país persa com os Estados Unidos, que já envolve outros atores do Oriente Médio. No entanto, o fato de que os juros locais mantiveram um ritmo intenso de queda ao longo de todo o dia ao passo que as taxas dos Treasuries americanos se afastaram das mínimas intradiárias pode indicar que fatores locais também contribuíram para a queda das taxas hoje. Para um participante do mercado ouvido pelo Valor, as falas de Gabriel Galípolo durante a Expert XP tiveram influência na formação de preços da renda fixa hoje. Embora siga sem sinalizar de forma clara os passos do Copom daqui para frente, o banqueiro central se mostrou pouco duro ao falar sobre a deterioração recente das expectativas de inflação, questionando a razão da piora em prazos mais longos do Boletim Focus. “Galípolo, como de costume, manteve seu tom comedido, não deu nenhuma orientação sobre as perspectivas futuras e limitou-se a reiterar as preocupações com as expectativas arraigadas e com a resiliência do mercado de trabalho. Não houve novidades, mas, nesse contexto, o mercado entendeu que eles não pretendem mudar a mensagem (em outras palavras… o corte de 0,25 ponto percentual [em agosto] continua sendo o cenário base)”, diz outro operador de renda fixa. De fato, no mercado de opções digitais de Copom, houve um aumento de 66% para 79% na probabilidade de corte de 0,25 ponto na próxima reunião do colegiado, ao passo que a chance de manutenção cedeu de 32% para 21% entre ontem e hoje. Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, as falas do presidente do BC foram “neutras” do ponto de vista do mercado e não devem alterar a expectativa tanto daqueles que esperam um corte da Selic em agosto quanto dos que projetam juros estáveis em 14,25%, como ela. “Minha percepção é que ele ainda quer ganhar tempo, e de certo modo faz sentido. Para mim, o BC tem dado ‘guidances’ fracos, pouco restritos. Tem sempre mantido um alto grau de dependência dos dados, o que acho que faz sentido em um cenário tão turbulento como o atual”, diz ela, em entrevista ao Valor durante a Expert XP.