Os juros futuros fecharam o pregão desta quarta-feira (10) com recuo moderado, à exceção das taxas de prazos mais longos, que ficaram próximas da estabilidade. O pregão foi de volatilidade alta e a renda fixa doméstica teve dificuldade de firmar o movimento em alguma direção, diante da ausência de fatores que levem a um ajuste consistente dos prêmios acrescidos à curva nas últimas semanas. Com isso, o ambiente externo ficou no foco dos investidores, seja pela aversão a risco devido à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã ou pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) americano de maio, que chegou a trazer alívio momentâneo ao mercado de renda fixa global. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 teve leve recuo de 14,51%, do ajuste anterior, para 14,495%; a do DI de janeiro de 2028 cedeu de 14,935% a 14,89%; a do DI de janeiro de 2029 caiu de 14,97% a 14,94%; e a do DI de janeiro de 2031 oscilou de 14,81% para 14,82%. A atenção dos agentes do mercado financeiro ficou dividida hoje entre o quadro geopolítico em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e os números do CPI americano de maio. Logo no começo da sessão, os juros futuros ensaiavam mais um dia de pressão e as taxas chegaram a bater o nível de 15% pela primeira vez desde o primeiro trimestre de 2025, após os Estados Unidos atacarem sistemas de defesa e radares do Irã em retaliação a uma suposta agressão do país persa a um helicóptero americano na tarde de ontem. A dinâmica bastante negativa do mercado de renda fixa se atenuou com a divulgação do CPI, que mostrou um núcleo de inflação nos Estados Unidos menos pressionado do que o mercado projetava. O alívio, porém, não foi tão intenso, uma vez que os números não foram suficientes para alterar drasticamente o quadro para a política monetária americana, em um momento em que os investidores flertam com a possibilidade do Federal Reserve (Fed) subir juros em algum momento deste ano. “O CPI de hoje pouco contribui para alterar a postura de manutenção das taxas de juros do Fed. Embora o comitê possa se sentir encorajado por mais indícios de que os efeitos das tarifas estão desaparecendo dos dados, os riscos de alta relacionados ao Oriente Médio permanecem e o núcleo do PCE (medida de inflação mais acompanhada pelo Fed) não mostra grande melhora”, avaliam Stephen Juneau, Meghan Swiber e Alex Cohen, do Bank of America, em nota. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, vai na mesma linha. “A combinação de inflação elevada, incertezas sobre a continuidade do conflito no Oriente Médio e mercado de trabalho sólido reforça nossa avaliação de que não há espaço para cortes de juros nos EUA neste ano e existe, inclusive, uma possibilidade de o Fed voltar a subir os juros. Nosso cenário-base continua sendo de manutenção da taxa no intervalo atual, de 3,5% a 3,75% ao ano, até o fim de 2026”, diz a profissional, em nota Sem um cenário traçado mais positivo para os juros nos Estados Unidos, o mercado brasileiro segue pouco confiante que o Comitê de Política Monetária (Copom) conseguirá prosseguir com o ciclo de cortes da Selic na sua próxima decisão de 17 de junho. No mercado de opções digitais, a probabilidade precificada de que o juro básico siga em 14,50% permaneceu em 68%, ao passo em que a chance de outro corte de 0,25 ponto seguiu em 32%. Além disso, o mercado aposta de forma ainda mais firme em manutenção dos juros na reunião de agosto do Copom, com 79% de probabilidade contra apenas 16% para uma redução de 0,25 ponto da Selic. — Foto: River He/Pexels
Juros futuros têm leve queda após pregão volátil com foco no exterior
A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 teve leve recuo de 14,51%, do ajuste anterior, para 14,495% e a do DI para janeiro de 2029 caiu de 14,97% a 14,94%







