A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 teve queda de 13,945%, do ajuste da véspera, para 13,895% e a do DI de janeiro de 2031 recuou de 14,365% para 14,215% Os juros futuros encerram em forte queda em toda a curva nesta terça-feira (14), na esteira da divulgação de dados de inflação mais fracos nos Estados Unidos. O índice de preços ao consumidor (CPI) caiu 0,4% em junho, ante expectativa de recuo de 0,2%, enquanto o núcleo do indicador surpreendeu ao ficar estável. A inflação menos pressionada diminuiu os temores de que o Federal Reserve (Fed) suba os juros no curto prazo, impulsionando o apetite por risco e favorecendo os ativos domésticos. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 tinha queda de 13,945%, do ajuste da véspera, a 13,895%; a do DI de janeiro de 2028 cedia de 14,01% para 13,855%%; a do DI de janeiro de 2029 baixava de 14,195% a 13,895%; e a do DI de janeiro de 2031 recuava de 14,365% para 14,215%. Não apenas o índice cheio do CPI recuou, como o núcleo da inflação permaneceu estável, contribuindo para a retirada dos prêmios de risco dos ativos. Para o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, os números representam um alívio importante, com desaceleração não apenas nos preços de energia, mas também em outros componentes, como serviços e habitação. “A grande história é energia, mas não é a única. O dado representa, de fato, um alívio para o Federal Reserve (Fed). Não no sentido de que ‘não preciso subir os juros’ ou ‘posso cortar’, mas de que há mais tempo para observar o que está acontecendo”, avalia o economista. Nesse contexto, Olivares acredita na manutenção das taxas de juros americanas nas próximas reuniões, com a possibilidade de alta apenas no encontro de outubro. Olivares lembra ainda que o presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, reforçou a busca pela estabilidade de preços. Sem mencionar emprego ou atividade, o dirigente concentrou sua fala ma inflação durante a sabatina na Câmara dos Representantes. “A leitura que faço é que, com essa surpresa favorável e o Warsh restringindo a mensagem ao objetivo de restabelecer a estabilidade de preços, fica claro que o atual comitê tem tolerância zero com qualquer inflação persistentemente elevada. Justamente por isso, um cenário em que a inflação surpreende para baixo traz mais conforto”, reitera o economista. Assim, ele afirma que, antes de cortar os juros, é necessário não haver dúvidas de que a inflação convergirá para 2%. “A partir daí, ele terá enorme liberdade. Ninguém duvida do compromisso, mas ele precisa marcar posição”, destaca. Segundo o profissional da Azimut, a reunião de outubro ainda representa uma possibilidade de alta dos juros. Mas, mesmo com um cenário inflacionário menos pressionado, a questão geopolítica permanece como um ponto de atenção para os mercados. Os preços do petróleo encerraram a sessão em alta, com o Brent próximo de US$ 84 por barril, em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. No entanto, a commodity se afastou das máximas após o presidente americano, Donald Trump, decidir não aplicar a taxa de 20% sobre a escolta de navios no Estreito de Ormuz, como havia anunciado no dia anterior. Para Olivares, a reação dos mercados foi menos intensa porque a postura do presidente americano já é conhecida. “Há uma nova rodada de volatilidade. O Irã sabe que Trump não vai colocar tropas em território iraniano na iminência das eleições de meio de mandato. O que isso me sugere é que os preços não ficaram tão pressionados quanto nos piores momentos da guerra, justamente porque Trump mostrou que não tem credibilidade, já que qualquer coisa que anuncie, logo depois recua”, aponta. Um gestor, sob condição de anonimato, afirma que a leitura mais positiva do IPCA de junho, divulgado na semana passada, segue como o principal vetor para os ativos locais. Ele ressalta que o balanço de riscos parece muito mais equilibrado e, assim, vê espaço para o Banco Central cortar a Selic, com a possibilidade de estender o ciclo de afrouxamento monetário para além da reunião de agosto. Já o economista da Azimut diz que o Comitê de Política Monetária (Copom) apresentou um quadro de inflação que havia piorado e que não era muito diferente do observado pelo mercado. A diferença, segundo ele, é que os investidores não acreditavam que ainda houvesse espaço para cortes da Selic. Mas, diante de dados inflacionários menos pressionados, o Banco Central ganha mais segurança para dar continuidade ao ciclo de afrouxamento monetário. “Como a política monetária já está muito restritiva, na avaliação do colegiado, qualquer surpresa positiva reforça essa interpretação. Se os dados tivessem caminhado na direção oposta, eu também não afastaria a hipótese de continuidade dos cortes”, destaca. — Foto: Gerd Altmann/Pixabay