A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 cedeu de 14,255%, do ajuste anterior, para 14,215% e a do DI para janeiro de 2031 despencou de 14,90% a 14,685% Os juros futuros fecharam em forte queda nesta segunda-feira (22), revertendo parte do salto que fez as taxas chegarem perto de 15% na semana passada. O alívio veio com a decisão do Tesouro Nacional de cancelar o leilão regular de NTN-B (títulos da dívida pública atrelados à inflação) marcado para amanhã, o que sinalizou ao mercado disposição da entidade para agir em momentos de estresse mais agudo. Nesse contexto, uma nova intervenção com leilões de recompra não é descartada pelos agentes, caso as condições no mercado de renda fixa não se normalizem. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 cedeu de 14,255%, do ajuste anterior, para 14,215%; a do DI de janeiro de 2028 recuou de 14,815% a 14,68%; a do DI de janeiro de 2029 teve forte baixa de 14,94% para 14,755% e a do DI de janeiro de 2031 despencou de 14,90% a 14,685%. Alívio de magnitude similar também é observado no mercado de NTN-B, onde as taxas recuaram mais de 10 pontos-base (ou 0,1 ponto percentual) nos vértices de quatro a nove anos da curva de juros reais. Na semana passada, o amplo estresse provocado pelas decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos fizeram os juros futuros se reaproximaram da marca de 15%, ao passo em que as taxas das NTN-B chegaram perto de 9%, em vencimentos de curto prazo, e de 8%, em trechos de longo prazo da curva de juros reais. O estresse renovado no mercado, junto à baixa demanda dos players por NTN-B, culminou na suspensão do leilão de títulos atrelados à inflação desta terça-feira. Além disso, o Tesouro divulgou que a oferta de LFT (papéis indexados à Selic) ocorrerá normalmente. Ainda que o Tesouro esteja ofertando lotes mínimos de 450 mil NTN-B por semana há algum tempo, diante do estresse constante do mercado de juros, o cancelamento do leilão de amanhã já foi suficiente para justificar uma redução significativa dos prêmios de risco acrescidos nos últimos dias. Para Gustavo Okuyama, gestor de renda fixa da Porto Asset, isso se dá pois os agentes passam a entender que o Tesouro está atento às condições do mercado e pode voltar a intervir, como fez em março deste ano com um leilões de recompra que totalizaram mais de R$ 40 bilhões. “O Tesouro ter cancelado a oferta mostra preocupação e ajuda o mercado a entender que não vai ter esse vendedor (de papéis) cativo, machucando ainda mais o mercado”, diz Okuyama, que nota a postura mais cautelosa da entidade, que tem ofertado mais LFTs e papéis prefixados de curto prazo, que adicionam menos risco às taxas. Nesse sentido, o cancelamento do leilão não altera tanto o que o mercado teria de absorver de risco nesta semana, mas é a sinalização que importa. “E o próximo passo seria um leilão de recompra, caso o mercado não volte à normalidade. É algo que dá segurança para quem carrega risco de manter ou retirar com mais calma”, pondera o gestor. Segundo ele, o que provavelmente funcionou como gatilho para o Tesouro optar por suspender o leilão de NTN-B foi o comportamento dos mercados na última sexta-feira. O último pregão da semana passada foi de liquidez mais baixa em meio a um feriado nos Estados Unidos e o jogo do Brasil contra o Haiti na Copa do Mundo. Durante a maior parte do dia, as taxas operavam sem grande movimentação, mas ao longo do pregão o mercado de juros futuros foi piorando, em um comportamento que foi acompanhado e, em dado, momento, superado pelas taxas reais das NTN-B - que, normalmente, apresentam uma volatilidade bem mais baixa que os juros prefixados. “Na sexta-feira, teve um sinal de disfuncionalidade”, avalia Okuyama. “ Os juros reais performaram mal em linha com o nominal antes (quarta e quinta-feira), as coisas estavam se conversando. Agora, na sexta, pareceu diferente, o juro real cruzou a piora do nominal.” Apesar da ação do Tesouro, por ora, o gestor da Porto Asset não vê necessidade de outro leilão de recompra. Segundo ele, o posicionamento técnico mais leve do mercado dá espaço para uma atuação menos agressiva. “Os patamares de taxa seguem praticamente nos piores níveis, mas com uma dinâmica diferente”, diz Okuyama. — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo