A taxa do DI com vencimento para janeiro de 2027 teve baixa de 14,045%, do ajuste da véspera, para 14,00% e a do DI de janeiro de 2031 recuou de 14,51% a 14,385% Juros, percentual, taxas — Foto: Declan Sun/Unsplash Os juros futuros fecharam em queda firme nesta sexta-feira (3), dia de pouca liquidez nos mercados domésticos por conta do feriado antecipado de Dia da Independência dos Estados Unidos. Diante disso, investidores locais aproveitaram a sessão para devolver parte dos prêmios acrescidos às taxas nos últimos dois pregões, em um movimento apoiado pelo recuo da produção industrial do Brasil e comentários do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento de janeiro de 2027 teve baixa de 14,045%, do ajuste da véspera, para 14,00%; a do DI de janeiro de 2028 cedeu de 14,24% a 14,09%; a do DI de janeiro de 2029 recuou de 14,40% para 14,25% e a do DI de janeiro de 2031 foi 14,51% a 14,385%. Sem a liquidez provida pelos mercados em Nova York, o volume de negociações nos mercados de juros foi baixo, o que ajudou a intensificar o efeito nas taxas de quaisquer movimentos dos investidores locais. Ainda assim, os operadores tiveram motivos para ajustar posições após a produção industrial anotar um recuo de 0,2% entre abril e maio, resultado bastante aquém da expectativa do mercado de alta de 0,3%, conforme a mediana de projeções coletadas pelo VALOR DATA. Para Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, o recuo da produção industrial se junta ao IPCA-15 benigno de junho e ao Caged fraco de maio, conjunto de dados que dá uma “sobrevida” à percepção de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central prosseguirá com o ciclo de cortes da Selic, talvez para além da reunião de agosto do colegiado, o que poderia fazer o juro básico cair abaixo de 14%. Além das taxas prefixadas, os juros reais das NTN-Bs (títulos atrelados ao IPCA) também apresentaram um forte alívio nesta sexta-feira. A taxa do papel com vencimento em agosto de 2028 anotou forte queda de 8,87% a 8,78%, ao passo que a taxa da NTN-B para agosto de 2032 baixou de 8,46% para 8,37%. Em prazos ultralongos, a taxa da NTN-B para maio de 2045 recuava de 7,77% a 7,67%. A forte queda das taxas das NTN-Bs se deu, principalmente, por conta das falas de Rogério Ceron. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, o número dois da Fazenda fez uma intervenção verbal no mercado ao afirmar que o Tesouro Nacional estará pronto para recomprar NTN-Bs, caso o mercado necessite de uma “porta de saída”, como ocorreu em março deste ano. Na prática, os comentários corroboram a avaliação que diversos participantes do mercado relataram ao Valor nas últimas semanas. Segundo eles, o mercado de NTN-Bs tem atuado de forma disfuncional e não há qualquer espaço para o Tesouro captar via leilões desta classe de papéis. Na última terça-feira, a entidade ofertou um lote mínimo de 150 mil títulos e, mesmo assim, não conseguiu uma venda integral. Vale dizer, ainda, que o Tesouro chegou a cancelar o leilão de NTN-Bs da semana passada dada a ausência de demanda dos agentes por estes papéis. Apesar da queima de prêmios de risco observada no pregão de hoje, o movimento recente dos mercados de juros dá pistas sobre como os investidores se comportarão em julho, segundo a avaliação de um membro da tesouraria de um importante banco local. Na sua avaliação, três fatores apontam para uma provável inclinação da curva a termo de juros futuros: a percepção de que o mercado não deve precificar muito mais cortes da Selic além de agosto; a provável redução da liquidez devido ao verão no Hemisfério Norte, que reduz o apetite dos investidores estrangeiros; e a atuação do Tesouro Nacional, que deixou claro que focará na emissão de títulos prefixados em detrimento das NTN-Bs. “Levando esses três fatores em consideração, finalmente consigo ver valor nas posições em inclinação, e consideramos esse o posicionamento correto a ser mantido, ao passo em que as posições simplesmente aplicadas (aposta na queda das taxas) agora parecem mais táticas”, diz este profissional, em condição de anonimato.