A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2027 teve leve alta de 13,745%, do ajuste da véspera, para 13,765% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,515% a 14,59% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Juros futuros se distanciam das máximas, mas ainda sobem com estresse local — Foto: Ali Rezaei/Unsplash Os juros futuros encerraram o pregão desta sexta-feira (14) em alta, diante da saída de recursos de investidores estrangeiros dos mercados locais à medida que se aproximam as eleições presidenciais de outubro. Ainda que as taxas tenham fechado bem distantes das máximas intradiárias, a deterioração da renda fixa e a inclinação da estrutura a termo da curva foram preservadas até o fim dos negócios, movimento também apoiado pelo estresse observado no mercado de títulos do Tesouros do EUA (Treasuries). Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 teve leve alta de 13,745%, do ajuste da véspera, para 13,765%; a do DI de janeiro de 2028 avançou de 13,935% a 13,985%; a do DI de janeiro de 2029 subiu de 14,255% para 14,33% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,515% a 14,59%. Nos EUA, a taxa da T-note de dois anos fechou em alta de 4,155% a 4,182%; a da T-note de dez anos subiu de 4,647% a 4,698%; e a do T-bond de 30 anos anotou forte avanço de 5,209% a 5,261%. Junto das demais classes de ativos domésticos, os juros futuros saíram dos níveis mais estressados do dia, quando as taxas chegaram a saltar perto de 30 pontos-base. A retirada de capital estrangeiro com a proximidade das eleições penalizou, principalmente, a ponta longa da curva, e a taxa do DI de janeiro de 2031 chegou a saltar a 14,80% mais cedo, maior nível desde 24 de julho. “O que está acontecendo é um mal-estar geral com as eleições e a política fiscal”, comenta um operador do sell-side de um banco local. Para ele, a tendência deve ser de desempenho inferior dos mercados no Brasil em relação aos seus pares até que acabem as eleições. E, a depender do resultado do pleito, é possível que isso se estenda para além do fim do ano, acrescenta. Nesse sentido, a divulgação da nova pesquisa eleitoral da Quaest, que ocorreu apenas depois de os mercados fecharem, ampliou a cautela nesta sessão. O instituto mostrou uma redução da vantagem das intenções de voto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de cinco para três pontos percentuais, em eventual segundo turno da disputa presidencial. Para Ian Lima, gestor de renda fixa ativa da Inter Asset, o estresse de hoje não foi causado por algum gatilho específico, mas, sim, por algo como uma “capitulação” do mercado de juros ― isto é, uma espécie de “rendição” após sucessivos dias em que os ativos locais, em especial a bolsa e o câmbio, tiveram desempenho ruim. “Em algum momento isso acaba pegando [nos juros], foi uma sequência importante de performance relativa pior.” Embora veja o mercado de juros já pressionado há algum tempo, o gestor da Inter Asset comenta que o cenário eleitoral foi, de fato, importante para gerar o estresse local recente. Sem visibilidade sobre o resultado das eleições e a política fiscal que resultará dele, há um movimento natural de saída que só deve terminar quando os fluxos estrangeiros cessarem. Essa deterioração pode, inclusive, afetar as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, alerta Lima. Ainda que o estresse atual não se compare ao que ocorreu no fim de 2024, o executivo lembra que o BC respondeu à forte depreciação do real com um ciclo de 3 pontos percentuais de alta da Selic no começo de 2025, o que mostrou que o Copom é sensível a deteriorações do mercado. No entanto, não há expectativa de que o Copom faça mais do que um ou dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual da Selic, o que deixaria o nível do juro básico ainda bem elevado e defenderia o real. Esse contexto, junto com o fato de que o dólar tem se mostrado mais fraco em nível global, deve limitar qualquer depreciação da moeda brasileira e uma contaminação nas expectativas de inflação, tornando menor o risco de uma resposta mais brusca da política monetária, diz Lima. O mercado de opções digitais de Copom fechou, hoje, precificando uma chance de 73% de que o colegiado reduza a Selic de 14% a 13,75% no mês que vem, contra 26% para manutenção do juro básico ― ontem, esses percentuais eram de 77,1% e 20%, respectivamente.
Juros futuros se distanciam das máximas, mas ainda sobem com estresse local
A taxa do DI com vencimento em janeiro de 2027 teve leve alta de 13,745%, do ajuste da véspera, para 13,765% e a do DI de janeiro de 2031 foi de 14,515% a 14,59%






