Riscos específicos (como bolhas de crédito, concentração setorial e alavancagem excessiva) poderiam ser enfrentados com ferramentas específicas, liberando a Selic para cumprir sua função principal: ancorar a inflação agregada 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 — Foto: Magnific O Brasil se tornou um dos ambientes mais rentáveis do mundo para quem vive de aplicação financeira. Com a Selic em 14,25% ao ano e o IPCA em 4,64% nos últimos 12 meses, ainda acima do teto da meta, o juro real gira em torno de 9,5% ao ano, um dos maiores do planeta. Some-se um câmbio relativamente apreciado, que preserva esse ganho em dólares, e o retrato fica completo: basta comprar a dívida do próprio governo para captar um dos melhores retornos ajustados ao risco do mundo, sem alavancagem e sem exposição a nenhum ciclo produtivo. Comparado a qualquer mercado emergente de porte semelhante, esse binômio (juro real elevadíssimo mais moeda estável) é uma anomalia que atrai capital de curto prazo interessado em carry trade, reforçando a própria apreciação cambial que sustenta o ganho em dólares. A questão é por que esse quadro persiste.
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