No acumulado de 12 meses até junho deste ano, a busca por empréstimos cresceu 9,2% 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mesmo com a Selic em patamar elevado, a demanda por crédito entre empresas continua aquecida, impulsionada principalmente pela necessidade de capital de giro e de gestão do fluxo de caixa. Dados da Serasa Experian mostram que, no acumulado de 12 meses até junho deste ano, a busca por crédito cresceu 9,2%. O avanço é superior ao registrado entre junho de 2024 e junho de 2025, quando a alta foi de 5,2%. No recorte por porte, a procura por crédito avançou 9,2% entre micro e pequenas empresas nos 12 meses até junho. Entre as médias empresas, o crescimento foi de 7,4%, enquanto, entre as grandes, chegou a 7,8%. No período entre junho de 2024 e junho de 2025, esses avanços foram de 5,3% e 1,5%, respectivamente. No caso das grandes empresas, houve retração de 0,3%. Os dados são calculados com base nas consultas mensais às bases da Serasa realizadas por empresas financeiras e não financeiras. Na avaliação da economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o comportamento atual difere do observado em ciclos anteriores de aperto monetário. Historicamente, a demanda por crédito desacelerava quando a Selic estava elevada. Desta vez, porém, esse movimento não se repetiu. “Mesmo com esse aperto monetário, a demanda seguiu.” “Isso revela a característica do momento que estamos vivendo, que é a de uma demanda por crédito associada às necessidades de capital de giro, que grande parte das empresas tem para enfrentar os desafios de gestão financeira e de fluxo de caixa, e não necessariamente a um crédito que vem por uma necessidade de investimento, diante do contexto econômico em que nos encontramos”, explicou. O cenário de alta da inadimplência entre empresas também não tem reduzido a busca por crédito. O índice da carteira total ficou em 3,19% em junho deste ano, acima dos 2,67% registrados no mesmo mês de 2025, segundo dados do Banco Central (BC). Entre micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), a inadimplência foi de 5,71% em junho deste ano, ante 5% um ano antes. Já entre as grandes empresas, o indicador passou de 0,40% para 0,66% no período. Segundo Abdelmalack, o principal efeito da inadimplência recai sobre os credores, que passam a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito. “A inadimplência elevada muda o comportamento do credor, não do inadimplente. O credor fica mais criterioso na hora de conceder esse crédito para evitar a exposição a um risco maior da sua carteira.” Abdelmalack também avaliou que programas públicos com fundos garantidores, como Pronampe e ProCred360, têm sido importantes para sustentar as concessões de crédito às pequenas empresas. “Basicamente, a desaceleração da concessão de crédito PJ não é maior porque a gente tem políticas tentando viabilizar e impor algum ritmo à concessão de linhas que são importantes para o PJ, especialmente para os pequenos empreendedores.” Sobre as perspectivas para o mercado de crédito, a economista afirmou que uma retomada mais consistente dependerá de uma redução mais expressiva da curva de juros, e não apenas de cortes graduais da Selic. “A gente entende que uma mudança na tendência do mercado de crédito necessariamente passaria por uma precificação da curva de juros em um patamar muito inferior ao que a gente observa hoje.” Ela ressaltou ainda que o ambiente de negócios é influenciado por uma série de fatores além dos juros. “Os juros são, sim, um grande detrator, muito importante, mas é o contexto dos juros em meio às discussões da reforma tributária, de como isso está afetando a saúde financeira das empresas, além das discussões relacionadas ao fim da escala 6 por 1”, deu como exemplos. economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack — Foto: Grabriel Reis/Valor