Nesta quinta-feira (20), o Banco Central divulgou sua Pesquisa Trimestral de Condições de Crédito, que mostra como as instituições financeiras estão percebendo a evolução do risco e ajustando sua disposição para emprestar. Ela chega em um momento particularmente interessante.
De um lado, multiplicam-se as notícias sobre o número recorde de empresas em recuperação judicial. Do outro, quando combinamos a pesquisa com as estatísticas de inadimplência divulgadas pelo próprio BC, não encontramos uma explosão semelhante no crédito empresarial. Como as duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo?
A resposta começa por uma distinção simples, mas importante: quantidade e severidade não são a mesma coisa. Contar empresas em recuperação judicial dá o mesmo peso a uma pequena empresa e a uma companhia com bilhões de reais em dívidas.
Para o investidor, entretanto, não importa apenas quantas empresas tiveram problemas, mas quanto do crédito concedido está efetivamente deixando de ser pago. Frequência de eventos e severidade financeira são conceitos diferentes.
Para saber o que efetivamente está acontecendo com a inadimplência, precisamos recorrer às Estatísticas Monetárias e de Crédito, também divulgadas mensalmente pelo Banco Central.








