O que é recuperação judicial?Entenda o processo que empresas podem solicitar para superar uma crise financeira. Gerando resumoO mercado de crédito privado vive um ano desafiador e que contrasta com os dois anteriores, durante os quais as empresas emitiram volumes recordes de papéis e os gestores viam nesses papéis as maiores oportunidades de rentabilizar fundos e fortunas. PUBLICIDADEOs eventos de crédito de grandes companhias como Raízen, GPA e Braskem, somados à volatilidade externa, praticamente paralisaram as emissões por cerca de três meses, que só agora começam a ser retomadas. Desde julho, captações bancárias de empresas de primeira linha e a prazos curtos têm marcado uma lenta volta de novas operações.No primeiro semestre, as ofertas de renda fixa somaram R$ 289 bilhões, queda de 5,1% ante igual período do ano passado, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). E os gestores acreditam que este não será um ano de volumes semelhantes ao de 2025, quando o total captado atingiu um recorde de R$ 737,7 bilhões, considerando o mercado de renda fixa. Isso após o ano de 2024 já te batido recorde.PublicidadeNo primeiro semestre, as captações com debêntures somaram R$ 170 bilhões, queda de 12% na comparação com igual período de 2025 Foto: Adobe Stock“O mercado não está na velocidade que poderia estar nesta retomada, mas os prêmios de risco estão fechando novamente e há demanda”, afirma o responsável pelo mercado de renda fixa e dívida estruturada do UBS-BB, Samy Podlubny. Mesmo assim, os bancos de investimento, que dão garantia firme de distribuição das ofertas as empresas, têm aconselhando que elas emitam menores volumes, depois de várias operações terem encalhado, há pouco tempo atrás.“Em um mercado normal, os bancos não tomariam susto com ofertas gigantes, mas, nesse momento, a tendência é de emissões de R$ 500 milhões a R$ 1,5 bilhão e dividida entre vários bancos”, diz. De acordo com Podlubny, essas são as transações que os assessores financeiros têm mais conforto para distribuir agora. No primeiro semestre, as captações com debêntures somaram R$ 170 bilhões, queda de 12% na comparação com igual período de 2025 que já havia sido menor que a primeira metade do ano anterior, segundo a Anbima.PublicidadeNa ponta compradora, entre os gestores, o sentimento é de fato de cautela. “Ninguém está querendo tomar muito risco, nem de crédito”, diz o sócio e CEO da Sparta, Ulisses Nehmi. Para além disso, Nehmi afirma que os prêmios de risco praticados agora – mesmo após uma correção de alta – ainda são baixos. “A renda fixa está atraente, mas o crédito corporativo não. Ainda é preciso tomar cuidado com o crédito”, diz.‘Qual será a próxima empresa a quebrar?’Segundo ele, “em todas as conversas”, investidores ainda perguntam qual será a próxima empresa a quebrar. Nehmi conta que um deles chegou a dizer que, embora não soubesse quem, tinha certeza que a próxima é do agronegócio. “Acho que isso reflete um pouquinho do sentimento do mercado hoje, na esteira de Raízen e outros nomes do segmento”, afirma.Mesmo assim, Nehmi espera que mais emissões cheguem ao mercado no segundo semestre, em função de uma necessidade de alocação dos gestores. “As carteiras de títulos não incentivados estão com papéis curtos”, conta. PublicidadeEntre os papéis incentivados, o cenário é mais desafiador, segundo o sócio da Sparta, especialmente para as emissões de certificados de crédito do agronegócio e imobiliário, já que seu maior público, o investidor pessoa física ainda está ressentido pela crise em grandes nomes do segmento.O sócio e gestor da Valora, Daniel Pegorini, defende que existe um certo excesso na percepção negativa do crédito privado nos últimos meses, na esteira dos casos de reestruturação envolvendo empresas muito grandes e conhecidas. “Em 2025 houve problemas do mesmo tamanho, mas em empresas que não tinham tanta presença nas pessoas físicas, não geraram tantas notícias”, afirma. Mas acrescenta que, como gestor, não vê um problema sistêmico.Os efeitos do fim dos fundos exclusivosPara Pegorini, com o fim dos fundos exclusivos foram criadas as carteiras administradas, com muito volume de papéis isentos concentrados nesses nomes. “Havia fundos exclusivos com 20% de concentração em Raízen”, lembra. Portanto, “esses problemas levaram os investidores a ter maior resistência ao mercado de crédito”, acrescenta.PublicidadeCONTiNUA APÓS PUBLICIDADEPegorini diz ainda que o mercado está muito melhor hoje do que há três meses em termos de retorno e que têm buscado papéis no mercado em bancos e aproveitado para montar posições com a venda de papéis por fundos de pensão que vendem debêntures para adquirir títulos soberanos.“A volatilidade gerada por eventos de crédito acabou tendo impacto sim no número de emissões no primeiro semestre”, disse o presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, Guilherme Maranhão. Quem poderia esperar acabou segurando captações. Quem precisou captar conseguiu a prazos mais curtos.“Enxergamos uma redução do prazo, é natural na medida em que existem mais incertezas. Tanto nas debêntures institucionais como nas incentivadas o prazo tem se reduzido.” Os spreads – o custo de captação em relação ao referencial – subiram, mas já voltaram a ceder, completa o executivo. O período mais agudo da crise foi o segundo trimestre, ressalta.PublicidadeLeia tambémBrasil só terá juros civilizados se tiver uma discussão de projeto de país, diz CEO do Banco XPGoverno Lula aumenta participação em fundos garantidores para turbinar programas de créditoCooperativas devem movimentar R$ 1 trilhão em receita até o final de 2028, estima organização“Tivemos um hiato de três meses, em que não houve demanda para emissões nem das próprias companhias”, disse o diretor da área de dívida (DCM, em inglês) do Banco Daycoval, Renato Otranto. Ele conta que algumas emissões tiveram que ser redesenhadas. Nas últimas semanas, as operações voltaram e o executivo conta que as gestoras já estão batendo na porta dos bancos querendo saber das próximas emissões. Para Otranto, provavelmente o segundo semestre deve ser melhor que o primeiro, até por conta do valor importante de vencimento de dívida para o resto de 2026. Vale ler tambémOs arquitetos do agro: os brasileiros que ajudaram a tornar o País a referência global em alimentosBraskem rejeita proposta de empréstimo de US$ 700 milhões na reestruturaçãoValor Investimentos compra Aliança Corretora de Seguros e inaugura unidade em Limeira
Crédito privado vive ano desafiador e machucado por grandes reestruturações
Os eventos de crédito de companhias como Raízen, GPA e Braskem, somados à volatilidade externa, retiveram as emissões por cerca de três meses, que só agora começam a ser retomadas











