Banco tem concentrado a originação em linhas com colateral, como o consignado privado e mesmo o financiamento automotivo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, afirmou o cenário para o crédito ao consumo ainda vai piorar antes de melhorar. Segundo ele, o banco esperava uma deterioração mais cedo, mas esse processo acabou sendo adiado, em função do impulso fiscal do governo, que alimentou a atividade econômica. “Os gastos do governo tiveram um crescimento mais forte com a aproximação do ciclo eleitoral, e isso não é sustentável para o próximo ano. Em algum momento, a atividade vai desacelerar e, com o nível de endividamento das famílias, pode ser um ciclo mais complicado. Mas nada desastroso”, comentou, em teleconferência com analistas sobre os resultados do segundo trimestre. Segundo ele, além de questões macroeconômicas, também existem fatores microeconômicos afetando o crédito. A criação do consignado privado, por exemplo, altera a precificação do crédito pessoal sem garantia. “Ainda não está claro como subscrever esse risco, não sabemos direito como será futuro [do crédito ‘clean’]”. Sallouti ressaltou que, assim como o restante do setor bancário, o BTG está preocupado com o nível de endividamento das famílias. Até por isso, tem concentrado a originação em linhas com colateral, como o consignado privado e mesmo o financiamento automotivo. “Já estamos há um bom tempo fazendo isso, reduzindo a exposição a segmentos de maior risco”. O executivo explicou que, enquanto o crédito ao consumo está crescendo em linhas com colateral, no crédito para empresas o banco tem expandido a carteira porque encontra spreads saudáveis. No ano passado, com os mercados de capitais muito fortes, muita coisa foi distribuída e o banco não concedeu tanto empréstimo assim. “Ainda podemos seguir com crescimento de 15% a 20% no crédito este ano”. O vice-presidente financeiro do BTG, Renato Cohn, também apontou que as receitas em crédito ao consumidor ainda devem melhorar com integração da MeuTudo. Após a parceria com o BTG, a fintech acelerou no crédito, então o “run rate” do fim do trimestre mostra um ritmo mais forte do que a média do período. Sallouti explicou que o crédito ao consumo deve continuar com um crescimento mais rápido que outras verticiais nos próximos seis trimestres. Ao mesmo tempo, a área de wealth tem crescido mais que o crédito corporativo. Nesse cenário, ele diz que a alocação de capital do banco não deve ter grandes alterações. “O crédito vai se tornar uma parte mais importante do mix de receita, mas não vai ser dominante”, disse Cohn. “É importante ter essa diversificação de crescimento”, acrescentou o CEO. Banco Pan Na teleconferência, Sallouti também afirmou que a rentabilidade do Banco Pan ainda está abaixo de 20%, mas melhorando. Em declarações anteriores, ele tinha dito que a meta era levar o Pan para o mesmo patamar de ROE do BTG até 2028. No segundo trimestre deste ano, o ROE do BTG foi de 26,7%. “O Pan está no caminho certo, pode até ser que antecipemos essa meta em alguns trimestres. Estamos conseguindo implementar as mudanças em ritmo mais rápido do que o esperado”. Ele apontou que, nos próximos anos, o BTG deve continuar vendo uma expansão da fatia de gestão de investimentos e crédito ao consumo na sua receita. Questionado por analistas sobre as tendências para a qualidade dos ativos, especialmente no crédito ao consumo, ele falou que o BTG tem sido mais conservador e que o cenário ainda vai piorar antes de melhorar. Ainda assim, disse que os investidores não devem se preocupar com o aumento de 14% visto nos créditos em estágio 3 (de pior qualidade) na passagem do primeiro para o segundo trimestre. “Vocês não devem se preocupar”, garantiu. Segundo ele, é difícil para quem olha o balanço do banco comparar o avanço dos créditos de um estágio para o outro, porque existem vários produtos diferentes, velocidade de baixa a prejuízo, cessão ou não de carteiras vencidas e outros items. “Neste trimestre não vendemos carteira vencida do Pan, então isso levou a um aumento do estágio 3, mas foi uma decisão correta do ponto de vista econômico. Estamos muito confortáveis com os níveis de provisão”. Roberto Sallouti, presidente do BTG Pactual. — Foto: Carol Carquejeiro/Valor.