O avanço dos bancos digitais na concessão de crédito para clientes antes excluídos do sistema financeiro ampliou a inclusão financeira no Brasil, mas também pode representar um fator de risco para a qualidade dos ativos dessas instituições em um cenário de deterioração da renda das famílias, segundo avaliação do BTG Pactual. Em relatório, os analistas do banco afirmam que os dados de um estudo da Equifax Boa Vista indicam que consumidores com perfis mais arriscados passaram a integrar o sistema financeiro nos últimos anos, elevando os níveis de inadimplência e endividamento. O estudo analisou 165 milhões de CPFs entre 2021 e 2025. “O estudo mostra que a digitalização aumentou a concorrência e a inclusão financeira, mas também transferiu parte do risco de crédito para instituições digitais e fintechs. Na nossa visão, isso indica que indivíduos com perfis de maior risco passaram a integrar o sistema financeiro, elevando os níveis de inadimplência e endividamento do sistema”, escreveram os analistas do banco. A preocupação do BTG está no comportamento dessas carteiras caso o cenário macroeconômico se torne mais adverso. Segundo o relatório, a principal questão é avaliar até que ponto o risco de piora da qualidade dos ativos, especialmente entre os neobancos, pode aumentar caso a renda disponível das famílias se deteriore. A avaliação ocorre em um contexto de maior endividamento. “Se a capacidade de pagamento dos indivíduos começar a se deteriorar de forma mais abrupta, os neobancos precisarão agir rapidamente para ajustar a originação de crédito, principalmente porque o crescimento de suas carteiras tem se concentrado em produtos de prazo mais curto”, afirmam os analistas. Apesar disso, o BTG afirma que os bancos digitais possuem características que ajudam a absorver níveis mais elevados de inadimplência. Uma delas é a precificação do crédito, que provavelmente incorpora o maior risco desses clientes. Outra é a estrutura operacional, com custo menor de atendimento em comparação com os bancos tradicionais. “De fato, durante esse período, o maior neobanco do país, o Nubank, apresentou rentabilidade superior mesmo absorvendo perdas mais elevadas.” Diante das preocupações com a qualidade dos ativos, o BTG afirma que investidores veem Itaú Unibanco e o próprio BTG Pactual como as melhores opções. “Itaú Unibanco e BTG Pactual continuam sendo vistos como os ativos de ‘porto seguro’ dentro do setor bancário brasileiro e podem apresentar desempenho superior até que essas preocupações diminuam”, escreveram os analistas, com base em reuniões de investidores realizadas na Europa no fim de maio. — Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
BTG vê desafio para bancos digitais em cenário de deterioração da renda das famílias
Segundo relatório, principal questão é avaliar até que ponto o risco de piora da qualidade dos ativos, especialmente entre os neobancos, pode aumentar







