Em ata, comitê do Banco Central afirma que esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito. O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 15:18 Endividamento recorde das famílias desafia governo Lula em 2024 O Banco Central do Brasil alerta que o endividamento das famílias está em níveis historicamente altos e continua crescendo, exigindo cautela no mercado de crédito. O Comitê de Estabilidade Financeira destaca que o ambiente de juros altos e o aumento das modalidades de dívida mais caras pressionam a renda familiar. O programa Desenrola Brasil busca aliviar esse fardo, mas o cenário impacta a popularidade do governo Lula, que enfrenta desafios em sua tentativa de reeleição. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O endividamento e o comprometimento de renda das famílias brasileiras estão historicamente elevados e seguiram crescendo, alertou o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central (BC), em ata divulgada nesta quarta-feira. No documento, o BC afiram que o ambiente de taxa básica de juros contracionista, aliado ao elevado endividamento de famílias e empresas, requer cautela e diligência nas concessões de crédito. Também menciona que as empresas estão sentindo o aperto monetário, embora a maior parte das corporações demonstre resiliência. “O endividamento e o comprometimento de renda das famílias estão historicamente elevados e seguiram aumentando. O contínuo aumento da participação de modalidades mais onerosas na composição da dívida deve continuar impactando o comprometimento de renda", alertou o comitê, afirmando que continuará aprofundando o debate sobre esse tema. Na visão do Comitê, esse cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito. Em março, últimos dados disponíveis, o endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro oscilou para 49,8%, depois de repetir o pico da série histórica em fevereiro, quando chegou a 49,9%, segundo o BC. Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento permaneceu em 31,4%, mesmo nível em que estava em fevereiro. O comprometimento de renda das famílias com dívidas foi de 29,3%. Sem contar os empréstimos imobiliários, 27%. O governo lançou no mês passado o Desenrola Brasil, voltado para renegociação de dívidas das famílias. O programa permite a troca de dívidas em atraso no cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia por um contrato mais barato, com taxas limitadas a 1,99% ao mês. O pacote foi preparado pela equipe econômica com o objetivo de aliviar o orçamento das famílias com o pagamento das dívidas bancárias. O endividamento é visto com preocupação pela equipe de Lula é apontado como um dos fatores para a queda de sua aprovação e seu desempenho nas pesquisas para a eleição de outubro, na qual buscará a reeleição.