Mais de 200 pessoas já foram mortas pelos bombardeios dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico. Entre elas há pescadores e civis humildes. Não houve acusação, defesa ou julgamento. Washington decidiu que eram "narcoterroristas" e que isso bastava para transformá-los em alvos militares.

Mesmo que todos transportassem drogas —e isso não foi demonstrado—, desde quando o narcotráfico passou a ser crime punido com execução sumária?

Pete Hegseth, secretário de Defesa, não esconde a intenção de ampliar a ofensiva. Em 12 de agosto, no Panamá, perguntado sobre a possibilidade de uma ação militar contra Cuba, respondeu: "Todas as opções, inclusive as militares, estão sobre a mesa". Pouco antes, anunciara que o governo colombiano de Abelardo de la Espriella autorizou operações militares conjuntas em seu território com forças americanas contra o chamado "narcoterrorismo".

O mais inquietante é a velocidade com que a região começa a normalizar algo moralmente condenável. A discussão deixa de ser se os EUA têm o direito de matar suspeitos sem julgamento e passa a ser onde poderão bombardear a seguir.

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