A campanha de bombardeios dos Estados Unidos realizada próxima à América do Sul contra embarcações e indivíduos acusados de participação no tráfico de drogas já deixou mais de 200 pessoas mortas em mais de 60 ataques, segundo reportagem do New York Times. De acordo com informações divulgadas por militares americanos no sábado, três homens foram mortos no Pacífico oriental em meio a um ataque ordenado pelo comandante do Comando Sul dos EUA, o general Francis L. Donovan. As operações do governo do presidente Donald Trump têm sido marcadas pela forte escassez de evidências físicas de destroços ou das drogas que as embarcações supostamente transportavam. Além disso, poucos corpos puderam ser recuperados. A legalidade das ações são frequentemente contestadas por especialistas em Direito, que afirmam que os militares não podem alvejar civis de forma deliberada, mesmo que sejam suspeitos de crimes, a menos que representem uma ameaça imediata. Os analistas também alegam que não há nenhuma evidência de que os ataques reduziram de forma efetiva a quantidade de drogas que chega aos Estados Unidos a partir da América do Sul. As mortes, entretanto, não são as únicas consequências da investida dos Estados Unidos contra embarcações que navegam perto de águas sul-americanas. Comunidades costeiras da Colômbia e do Equador dizem que os bombardeios americanos também destruíram o modo de vida de famílias que dependem do mar para sobreviver. A pesca, uma das principais fontes de renda dessas famílias, vem sendo abandonada, já que as lanchas usadas por pescadores são praticamente indistinguíveis das utilizadas por traficantes. Também não é incomum que embarcações de pescadores sejam tomadas por traficantes para o uso em atividades ilícitas. Além disso, em períodos de baixa atividade pesqueira ou simplesmente para complementar a renda insuficiente da pesca, alguns pescadores tendem a aceitar trabalhos ligados ao tráfico, o que torna a linha que separa os traficantes dos pescadores ainda mais tênue. Diferentemente do governo equatoriano, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, tem criticado duramente os bombardeios dos EUA, que classifica como “assassinatos”, e suspendeu o compartilhamento de informações de inteligência com os militares americanos após a morte de um pescador colombiano em um dos ataques. Segundo o NYT, o ritmo de bombardeios voltou a acelerar e, entre 11 de abril e 8 de maio, ocorreu praticamente um ataque a cada três dias, com ampliação do número de aeronaves de ataque de asa fixa e do uso de drones armados MQ-9 Reaper, que operaram a partir de bases em El Salvador e Porto Rico. Conforme relatou uma fonte ao New York Times, antes da escalada de operações, uma embarcação suspeita de tráfico tinha cerca de 50% de chance de escapar da detecção militar. Agora, porém, essa probabilidade teria caído para aproximadamente 25%.
Ataques dos EUA contra embarcações próximas à América do Sul matou mais de 200, diz jornal
Pesca vem sendo abandonada na região da Colômbia e Equador, já que as lanchas usadas por pescadores são praticamente indistinguíveis das utilizadas por traficantes











