Com precisão mortal, o governo Trump lançou dezenas de ataques contra pequenas embarcações nas águas próximas à América do Sul, matando quase 200 pessoas em uma campanha que, segundo autoridades americanas, visa conter o fluxo de drogas ilícitas para os Estados Unidos.

Mas quase nove meses após o início da operação, epidemiologistas, cientistas especializados em dependência química e especialistas em saúde pública afirmam que a cocaína, de longe a principal droga contrabandeada da América do Sul, continua tão fácil de obter em grande parte dos Estados Unidos quanto era antes do início dos ataques.

As conclusões — baseadas em avaliações de preços nas ruas, overdoses fatais, pureza das amostras e apreensões de drogas nas fronteiras americanas — levantam questionamentos sobre a eficácia do maior deslocamento militar dos EUA na América Latina em décadas.

Os custos dessas operações militares já chegaram a US$ 4,7 bilhões, segundo o projeto Costs of War da Universidade Brown, incluindo o envio de aeronaves de ataque AC-130J Ghostrider, caças F-35 e destróieres lança-mísseis guiados, além de cerca de 15.000 militares americanos.

A campanha se expandiu do Mar do Caribe para incluir ataques no leste do Pacífico, a captura do ex-líder da Venezuela para enfrentar acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos e ataques terrestres no Equador.