John Quincy Adams (1767-1848) deixou registros detalhados dos debates que levaram à formulação da Doutrina Monroe, evocada pelo governo Trump em um recente vídeo para tratar a América Latina como um puxadinho dos EUA.
Seu biógrafo James Traub conta que Adams, então secretário de Estado, e o presidente Monroe tinham duas questões diante de si. De um lado, a proposta britânica de uma declaração conjunta contra uma eventual intervenção europeia para restaurar o domínio espanhol sobre suas antigas colônias. De outro, as pretensões russas no noroeste do continente e a recusa do czar de reconhecer as repúblicas da América do Sul.
A solução desenhada em 1823 visava declarar que os interesses americanos estavam diretamente relacionados ao continente, sem ficar a reboque da Inglaterra.
O que a administração Trump omitiu no vídeo é que Adams e Monroe, cientes das limitações da nação que comandavam, comprometiam-se a não intervir em assuntos europeus.
Se havia a sugestão de uma área de influência nas Américas, os EUA se colocavam como espectadores dos conflitos no Velho Mundo. "Nas guerras entre as potências europeias, em questões que dizem respeito a elas próprias, jamais tomamos parte, nem seria compatível com nossa política fazê-lo", afirmou Monroe.













