Investidor estrangeiro diminuiu apostas com ações locais com aproximação das eleições. Sequência negativa no Ibovespa só aconteceu duas vezes desde os 2000. 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nota de dólar — Foto: Bloomberg O Ibovespa voltou a cair na sessão desta sexta-feira, acentuando a perda mensal de agosto a 7%. Para analistas, o investidor estrangeiro, que deu o ritmo do índice ao longo do ano, tem acelerado os saques de seus investimentos por aqui para evitar o período eleitoral. O dólar subiu ao maior nível em quatro meses e meio, aos R$ 5,219. — É a combinação de temores eleitorais e tensão geopolítica — afirmou Nicolas Borsoi, estrategista da Tullett Prebon, lembrando que a expectativa dos investidores sobre a pesquisa Quaest, a ser divulgada mais tarde, pode ter contribuído para a realização de investimentos. - O nono dia seguido de baixa levou o índice a repetir uma sequência que só havia acontecido duas vezes desde os anos 2000, segundo a consultoria Elos Ayta. A última vez em que uma série dessa ordem aconteceu foi em 2023. Nesta sexta, a Bolsa fechou em baixa de 0,10%, aos 166.934 pontos. Para a consultoria inglesa Capital Economics, para além do período eleitoral, a realização dos investidores estrangeiros tem como objetivo aumentar as apostas nas empresas de inteligência artificial na Bolsa americana, movimento que contribuiu com as sucessivas quedas do índice. E o futuro ainda deve impor volatilidade: “as ações brasileiras provavelmente terão desempenho inferior ao de seus pares de mercados emergentes neste ano, devido aos riscos políticos e à composição do mercado”, disse a analista de mercados emergentes da consultoria, Kimberley Sperrfechter, em relatório. Na semana, o Ibovespa desvalorizou 4%. A adoção da Lei de Reciprocidade pelo governo brasileiro sobre o tarifaço aplicado pelos americanos pode ter contribuído para azedar o humor do capital internacional, avalia Bruno Lima, gestor de fundos de ações da Bradesco Asset Management: — Se tudo estivesse bem aqui por outros motivos, economia estivesse crescendo forte, isso passaria despercebido. Mas o mercado, que já tem um mau humor e vem essa notícia. É a cereja do bolo — ele diz, atribuindo ao movimento de realização pelo estrangeiro o patamar do petróleo, que segue acima dos US$ 85. Hoje, o barril do tipo Brent (referência internacional) subiu 1,67%, aos US$ 88,52. — Para tema de ações do Brasil, que depende de política monetária, é ruim. Com BC cortando em passo tímido, vai ficando mais difícil — afirma. A temporada de resultados do 2° trimestre também não ensejou ânimo nos investidores, avalia o estrategista de ações do Santander Corretora, Ricardo Peretti. — Foi uma temporada de balanços que não jogou a favor do Ibovespa, com números neutros e alguns mais negativos. As empresas mostraram fragilidades em termos de margem, dificuldade de repassar custos, dificuldade de crescer receita em meio a juros altos e preocupações com o nível de inadimplência — afirma. Para Milena Landgraf, chefe de investimentos da Jubarte Capital, a fuga de investidores internacionais somada a falta de quem venda dólares se aproveitando do patamar alto contribuiu com a performance do câmbio na sessão, que encerrou o dia no maior valor desde 30 de março. — Com o fluxo de saída, seria natural, pelo preço, esperar alguns players na ponta contrária com intenção de vender dólar. Só que neste momento não há apetite para montar posições (em investimentos) novas no Brasil por conta da incerteza eleitoral — diz ela sobre a pressão na moeda americana. Escala 6x1 contribui com alta nos juros futuros Os acordos políticos em Brasília também contribuíram para o aumento dos juros futuros, que embutem a previsão de inflação no futuro e onde estará a Taxa Selic, afirmou Milena, da Jubarte. O movimento, diz Milena, contribuiu com pressão nos juros: — A escala 6x1 ela vai afetar o mecanismo de trabalho nos serviços. A proposta envolve limitação de horas trabalhadas e, consequentemente, isso implica no aumento do custo do trabalho. É (uma medida) inflacionária, com impacto de aumentar o preço dos salários dos serviços, num momento onde há discussão de qual é o espaço adicional de corte de juros pelo BC — afirma. Para Borsoi, da Tullett Prebon, o vencimento de volumes relevantes de papéis do Tesouro atrelados à inflação pode ter contribuído com a volatilidade nas taxas. O Tesouro Nacional chegou a suspender a venda de títulos do Tesouro Direto que são atrelados às taxas de juros negociadas no mercado. A interrupção aconteceu durante a tarde mas, por volta de 15h, as vendas foram restabelecidas. Em nota, o órgão afirmou que, ao identificar “variações significativas nos preços e nas taxas dos títulos negociados nesse mercado, o Tesouro Nacional suspende temporariamente as negociações no TD para que novos preços e taxas de referência possam ser atualizados”.
Dólar salta aos R$ 5,22, maior valor desde março, e Bolsa cai pela nona vez seguida
Investidor estrangeiro diminuiu apostas com ações locais com aproximação das eleições. Sequência negativa no Ibovespa só aconteceu duas vezes desde os 2000.













