Em áreas de encosta, becos estreitos e regiões de ocupação intensa, Águas do Rio usa soluções como rapel e escavação subterrânea para ampliar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Rizolene de Souza em frente ao seu salão na Ilha do Governador: fim dos problemas causados pelas chuvas após intervenção da Águas do Rio — Foto: Magno Martins/Divulgação Águas do Rio Por cerca de uma década, a chuva significava alagamento, lama, esgoto e prejuízo para Rizolene de Souza. Moradora da Ilha do Governador, Zona Norte da cidade, há 26 anos, ela também mantém um salão de beleza na mesma vila e viu a rotina mudar depois que a Águas do Rio iniciou obras na região. Desde então, duas chuvas atingiram o local sem provocar os alagamentos que faziam parte do cotidiano. — Não tive mais aquela preocupação nas últimas chuvas. É muito diferente — diz. A história de Rizolene ajuda a mostrar que levar saneamento às comunidades significa muito mais do que instalar redes de água e esgoto. Em territórios marcados por encostas, becos estreitos, áreas alagadiças ou ocupação intensa, a infraestrutura precisa se adaptar à realidade de cada lugar — e a engenharia passa a ser parte fundamental dessa transformação. É uma lógica que se repete em diferentes pontos do Rio. Onde máquinas convencionais não conseguem chegar, equipes especializadas da Águas do Rio recorrem a técnicas de rapel para implantar tubulações. Onde abrir grandes valas poderia comprometer a circulação de milhares de moradores, equipamentos conhecidos como “tatuzinhos” escavam o subsolo e instalam redes de esgoto. As técnicas mudam conforme o território, mas o objetivo permanece o mesmo: fazer o saneamento chegar a quem historicamente ficou à margem da infraestrutura urbana. — O saneamento é um indutor de desenvolvimento e de prosperidade compartilhada. Quando a infraestrutura chega, não estamos falando apenas de água e esgoto, mas de saúde pública, qualidade de vida, atividade econômica, emprego e renda. É uma transformação que alcança o território como um todo — afirma Renan Gonçalves, diretor-executivo da Águas do Rio, concessionária da Aegea. Geografia exige diferentes soluções Equipamento conhecido como “tatuzinho” sendo instalado na Maré — Foto: Divulgação/Águas do Rio Desde novembro de 2021, início da concessão, a Águas do Rio já investiu R$ 6,3 bilhões em obras nas regiões onde atua. Foram instalados ou substituídos 1.900 quilômetros de redes de água e 304 quilômetros de redes de esgoto nos 27 municípios atendidos. Nas comunidades, cada obra exige uma solução diferente. No conjunto de favelas da Maré, na Zona Norte do Rio, quatro equipamentos conhecidos como “tatuzinhos” escavam o subsolo enquanto implantam redes de esgoto. O método evita grandes valas abertas nas ruas e vielas, reduz os impactos sobre a circulação e concentra a intervenção em pequenos canteiros. As obras estão previstas para seguir até o fim de 2027. O tronco-coletor terá 4,5 quilômetros de extensão e profundidade de até 11 metros. Com investimento de R$ 120 milhões, o novo sistema de esgotamento sanitário vai tirar esgoto da porta da casa das pessoas e permitirá que cerca de 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês deixem de ser lançados na Baía de Guanabara e sejam tratados na ETE Alegria, no Caju. Na região, o abastecimento também está sendo modernizado. Rosimere Gomes, de 65 anos, nasceu e cresceu na Maré e acompanha diariamente a movimentação das equipes da Águas do Rio. Ela percebe mudanças no fornecimento de água, que hoje chega com mais força à sua casa. — A dimensão do “tatuzinho” aqui dentro da Maré foi uma coisa inexplicável. Ninguém imaginava um dia ver isso aqui — conta. Rosimere Gomes, moradora da Maré desde que nasceu, acompanhando as obras na comunidade — Foto: Divulgação/Águas do Rio Se na Maré o desafio está no subsolo, em áreas de encosta é preciso encontrar soluções onde máquinas convencionais não conseguem chegar. É o caso do rapel, usado por equipes especializadas para implantar redes de água em pontos de difícil acesso em terrenos inclinados. Atualmente, 87 profissionais da Águas do Rio estão capacitados para usar as técnicas de descida vertical controlada por cordas e equipamentos específicos. — Não existe uma única forma de levar saneamento para todos os lugares. Uma encosta exige uma solução, uma área densamente ocupada exige outra. Antes de entrar em uma comunidade, fazemos um diagnóstico para entender as necessidades e direcionar inovações aplicadas ao território — explica Renan. Impactos sociais e econômicos Os efeitos também aparecem na economia local. Na vila onde Rizolene mora, na Ilha do Governador, clientes que antes enfrentavam lama e poças para chegar ao salão passaram a ter outro caminho. Para comerciantes, deixar de lidar com alagamentos e problemas de esgoto significa reduzir interrupções e prejuízos. Um familiar de Rosimere trabalha nas obras da Maré e, segundo ela, outros jovens da região também conseguiram emprego. Desde o início da concessão, a companhia registra cerca de dez mil empregos gerados. Ao priorizar moradores das comunidades onde atua, a Águas do Rio aproxima as equipes da realidade dos territórios e fortalece a economia local. Segundo o diretor-executivo da concessionária, a estratégia começou antes das obras, com pesquisas qualitativas e de escuta ativa nas comunidades para entender a rotina dos moradores e os desafios de cada território. — Durante muito tempo, as comunidades foram enxergadas como um problema. A nossa visão foi mudar essa perspectiva: ali existe uma população que precisa de serviço, infraestrutura e oportunidades. Quando passamos a enxergar esses territórios dessa forma, também mudamos a maneira de trabalhar neles — comenta. Desde 2021, quase um milhão de pessoas passaram a ser clientes da empresa em comunidades da cidade do Rio. Em toda a área de concessão, que abrange outros 26 municípios, mais de 2 milhões têm acesso à Tarifa Social. Os investimentos da Águas do Rio estão alinhados ao Marco Legal do Saneamento, que estabelece a meta de universalizar o acesso à água potável e à coleta e ao tratamento de esgoto até 2033. Para chegar lá, é preciso alcançar lugares onde as características do território tornam essa tarefa mais complexa. Uso de rapel para intervenções da Águas do Rio no Morro da Providência — Foto: Divulgação/Águas do Rio Na Maré, o método não destrutivo reduz o impacto sobre uma região densamente ocupada. Em áreas de encosta, o rapel permite que as equipes trabalhem onde equipamentos convencionais não conseguem operar. As técnicas mudam conforme a comunidade. — Saneamento é necessário, mas demanda obras que geram transtorno: tem barulho, incômodo e, muitas vezes, precisa abrir a rua. Por isso, sempre buscamos a solução que cause o menor impacto possível para quem está ali. A tecnologia é apenas o meio, o objetivo é fazer a obra acontecer e melhorar a vida do morador — diz Renan.
Soluções inovadoras para levar saneamento às comunidades do Rio
Em áreas de encosta, becos estreitos e regiões de ocupação intensa, Águas do Rio usa soluções como rapel e escavação subterrânea para ampliar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto






