Com capacidade para processar até 51 milhões de litros de efluentes por dia, unidade em Queimados vai beneficiar 270 mil moradores 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Estação terá 700 quilômetros de redes coletoras, mais de 13 quilômetros de coletores-tronco e mais de 60 estações elevatórias — Foto: Divulgação/ Águas do Rio A Baixada Fluminense conta agora com uma nova Estação de Tratamento de Esgoto. Na manhã desta segunda-feira, 22 de junho, a Águas do Rio inaugurou a unidade que vai receber o efluente de Queimados, Japeri e parte de Nova Iguaçu. Com isso, serão tratados os 51 milhões de litros de esgoto, que hoje colocam a saúde da população em risco e deságuam in natura na Bacia do Guandu. Durante a cerimônia de entrega, Anselmo Leal, presidente da concessionária, destacou os benefícios da estação para a região. — É uma estação muito emblemática. Vai coletar e tratar o esgoto e atender a 270 mil pessoas. Tudo passará a ser tratado antes de ser destinado para a natureza. A unidade também vai tirar o esgoto do rio que fornece água para nove milhões de fluminenses. Agora, a água será de muito mais qualidade para toda essa população — disse ele. Anselmo Leal, presidente da Águas do Rio — Foto: Fábio Cordeiro Além de tratar o esgoto que cai no Rio Guandu, a estação vai melhorar a qualidade dos rios Poços e Queimados, que cruzam as cidades e deságuam na Lagoa do Guandu, o que deve impactar substancialmente na saúde dos moradores. — Os rios vão ficar mais D R limpos, sem despejo de esgoto, e temos um componente de saúde pública: a redução de doenças de veiculação hídrica, como hepatite, diarreia e leptospirose, originadas a partir de água contaminada. É provável que as prefeituras de Japeri e Queimados consigam medir, ao longo do tempo, uma redução no custo da saúde pública — ressaltou Leal. A nova estação é a principal estrutura de um projeto de R$ 640 milhões que pretende universalizar o esgotamento sanitário em Queimados e Japeri. O pacote inclui 700 quilômetros de redes coletoras, 13 quilômetros de coletores--tronco e mais 60 estações elevatórias para transportar o esgoto até a unidade de tratamento. O aporte contempla o financiamento do programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). — É fantástico entregarmos a estação em tão pouco tempo. Esses recursos foram assinados em 2024 e já estão virando realidade. As redes de esgoto estão sendo implementadas e, com elas, vamos universalizar o acesso ao saneamento básico para as cidades — avaliou Vladimir Lima, ministro das Cidades, que participou da inauguração. Vladimir Lima, ministro das Cidades — Foto: Fábio Cordeiro O esforço para a universalização do saneamento básico na Baixada Fluminense conta com parcerias entre entidades, instituições, governos e municípios. — Fica até difícil falar da magnitude que é estar vendo a transformação do Marco do Saneamento acontecer, com financiadores públicos e privados, concessionárias e agências reguladoras dando passos que transformam a vida de milhares de pessoas. Isso é inclusão —apontou Radamés Casseb, CEO da Aegea. Eduardo Nali, chefe do departamento de Saneamento Ambiental do BNDES, ressaltou o papel do banco como estruturador e financiador de projetos de infraestrutura: — Já foram realizados mais de 20 leilões, beneficiando 40 milhões de pessoas. Nossa carteira de financiamento subiu de R$ 2 bilhões para R$ 40 bilhões de reais nos últimos quatro anos. Isso mostra como o banco está comprometido com a missão de desenvolver o saneamento e fazer com que todo mundo tenha mais dignidade. Moradores esperam melhorias A pescadora Priscila da Costa Amorim espera mais peixes com a melhora da água — Foto: Fábio Cordeiro Priscila da Costa Amorim, de 44 anos, é pescadora do Rio Guandu há oito. Moradora de Nova Iguaçu, ela cresceu acompanhando o dia a dia do pai na atividade da pesca. Nos últimos anos, ela viu a poluição reduzir os peixes e atrapalhar a geração de renda na região. Ela espera que o tratamento do esgoto garanta melhores condições para os pescadores locais, que, diariamente, vendem os peixes ao longo da rodovia Rio-São Paulo. — Nós dependemos do Guandu para viver e enfrentamos muitos desafios. Agora, nossa expectativa é que, com a melhora da água, venham mais peixes, que são o nosso sustento. Vamos poder levar o arroz e o feijão para dentro de casa — celebra ela. Esgotamento sanitário avança no RJ Conjunto de Favelas da Maré está recebendo obras que vão levar saúde e qualidade de vida para 200 mil moradores — Foto: Divulgação/ Águas do Rio As obras de saneamento seguem avançando em pontos importantes do Rio de Janeiro. Desde novembro de 2021, quando assumiu os serviços de água e esgoto em 27 municípios do estado do Rio, a Águas do Rio já investiu R$ 6,3 bilhões em infraestrutura. Um marco no trabalho em territórios vulneráveis é o Conjunto de Favelas da Maré, que está recebendo obras que vão levar saúde e qualidade de vida para os 200 mil moradores que ainda hoje convivem com esgoto a céu aberto. O sistema vai tratar 1,3 bilhão de litros de esgoto que hoje caem na Baía de Guanabara todos os meses. Reverter passivos históricos ambientais e de saúde pública no estado demanda intervenções de grande porte e atuação em áreas marcadas por alta complexidade urbana e social.