No alto das montanhas do norte do Chile, o telescópio Mothra ainda está em construção, mas já oferece uma nova perspectiva sobre alguns dos processos mais difíceis de se fotografar no Universo. Ele produziu uma imagem da nebulosa da Hélice (ou Helix), um exemplo impressionante do fim do ciclo de vida de uma estrela.
Mothra, sigla em inglês para conjunto robótico modular de teleobjetivas ópticas hiperespectrais, é um telescópio projetado para capturar imagens de objetos grandes, porém tênues, em nosso céu noturno —em particular, a teia cósmica de gases difusos e matéria escura que se estende entre as galáxias. Para isso, o sistema usará 1.140 lentes de câmera que funcionam em conjunto, proporcionando um campo de visão amplo e, ao mesmo tempo, observações profundas.
Ao testar 172 das lentes instaladas até agora no sistema, os cientistas viram algo surpreendente. Depois de apontarem o telescópio para a tão fotografada nebulosa da Hélice, eles observaram faixas tênues de detritos estelares se dissipando no espaço ao redor dela. A observação foi descrita em um artigo publicado na última quarta-feira (12) na revista Nature.
"Vimos aquela imagem e pensamos: ‘Isso é novo. É algo que nunca vimos antes’", disse o físico Pieter van Dokkum, da Universidade Yale (EUA), um dos autores do novo estudo. "E, quando fizemos algumas pesquisas, descobrimos que ninguém mais havia visto isso antes."








