Para Fábio Cefaly, diretor de relações com investidores da companhia, o desempenho ficou “dentro das expectativas”, mas em ambiente de consumo mais difícil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Empresa não pretende elevar preços acima do mercado, mas diz que precisa recompor custos sob pressão — Foto: Valor A M. Dias Branco, que se apresenta como líder nacional nos mercados de biscoitos e massas, teve um desempenho de “dois gumes” no segundo trimestre de 2026. Se, por um lado, a companhia consolidou o quarto trimestre consecutivo de crescimento em volume, de 4,4%, por outro, viu o lucro líquido encolher 22%, para R$ 168,9 milhões. O avanço do volume ocorreu em um mercado de consumo mais fraco. Ao mesmo tempo em que vendeu mais, a companhia recebeu menos por unidade, com queda de 5% no preço médio, principalmente pela redução dos preços de produtos ligados ao trigo. As despesas com vendas e administrativas também aumentaram 14,3%, pressionando o resultado. Para Fábio Cefaly, diretor de relações com investidores da companhia, o desempenho ficou “dentro das expectativas”, mas em um ambiente de consumo mais difícil. A companhia conseguiu melhorar a margem bruta, que passou de 33% para 34,2%. Esse indicador mostra quanto sobra da receita depois de descontados os custos diretamente ligados à produção. O ganho, porém, não foi suficiente para compensar o aumento das despesas e outros fatores que afetaram o resultado. A alta do diesel, por exemplo, teve impacto negativo de R$ 5,6 milhões no frete no trimestre. “A empresa é grande, tem agilidade, mas precisa de um tempo para fazer a leitura e tomar algumas medidas”, afirmou Cefaly ao Valor. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 284,4 milhões, queda de 17,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda caiu de 12,7% para 10,5%. Para reduzir despesas, a M. Dias Branco colocou em andamento o projeto Acelera, que levou à redução de 621 posições e à transferência para terceiros de alguns processos administrativos. “O corte de despesas é instantâneo, mas o ganho líquido [pós-rescisões] acaba vindo no ano seguinte”, explicou Cefaly. Enquanto biscoitos e massas continuam respondendo pela maior parte da receita, a companhia tenta ampliar a participação de categorias mais novas, como petiscos, bolos e produtos saudáveis. Esse grupo, chamado pela empresa de adjacências, cresceu 12,4% no trimestre. “É um negócio que, em cinco anos, será muito relevante. O que mexe o ponteiro hoje é biscoito e massa, mas não deixamos de olhar avenidas com maior valor agregado”, disse. Para o segundo semestre, a estratégia será buscar um equilíbrio entre crescimento de volume e preços. A companhia não pretende elevar os preços acima do mercado, mas diz que precisa recompor custos caso haja pressão de insumos, combustíveis ou câmbio. “A palavra-chave aqui é o equilíbrio”, afirmou o executivo. A empresa encerrou o trimestre com R$ 2 bilhões em caixa e R$ 767 milhões em caixa líquido, ou seja, o valor que sobra depois de descontada a dívida. A companhia também entrou em um novo ciclo de investimentos para modernizar as fábricas, com R$ 273,5 milhões aplicados no primeiro semestre, principalmente em automação e otimização industrial.