Se tinha uma coisa que Daisy tinha certeza de que seu caçula jamais faria "era engenharia, ciências econômicas, medicina". Não o seu menino. João Paulo Naves sempre foi das artes.

Voltava da escola anunciando "querida, cheguei!", bordão do pai da "Família Dinossauro", e desatava a compartilhar seus causos. Desde pequeno, contar histórias era mais do que uma paixão. Era sua razão de ser.

Tinha lábia, o João. Daisy lembra a vez em que a família organizou uma variação do tradicional amigo oculto, em que os presentes podiam ser trocados entre os participantes.

Acontece que a avó de João, católica fervorosa, daquelas de rezar terço todo dia, ganhou o que todo mundo cobiçou, um vinho. O neto foi ligeiro: ofereceu em troca, de maneira bem teatral, uma água que jurava ser benta, direto do rio Jordão, onde Jesus se batizou.

João fez muitas coisas na vida.