Se a cena boêmia paulistana parece hoje consolidada, a coisa não era exatamente assim nos selvagens e deliciosos anos 1990 —época em que a mixologia preferia clássicos a autorais e cervejas diferentonas eram as importadas do pub, e do Frangó.
A cada semana, meia dúzia de novos bares se instalavam na Vila Madalena; e outros tantos, comandados por aventureiros descuidados, fechavam.
Diante de um cenário com muito a ser explorado, surgiu o bar Original, em Moema, com uma proposta de resgate da alma botequeira clássica, pautada no atendimento atencioso, petiscos tradicionais e um chope muito bem tirado (da Brahma).
Tanto no menu como no ambiente, era inegável desde o início uma mistura de inspiração e homenagem aos botecos do Rio de Janeiro, vizinho com histórico boêmio muito mais antigo —herança de uma cidade que foi a capital do país.
Mas os ladrilhos hidráulicos da casa avarandada já estavam ali desde o início, na casa que funcionou desde os anos 1940 como uma venda de secos e molhados, e que caiu na graça dos sócios do novo bar, lembra Ricardo Garrido, um deles.







