Advogado é investigado por suspeita ocultar recursos provenientes da exploração de jogos de azar e apostas esportivas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nelson Wilians, CEO da Nelson Wilians Advogados — Foto: Divulgação Conhecido como “advogado ostentação”, Nelson Wilians voltou à mira da Polícia Federal nesta quinta-feira como um dos alvos da Operação Arena. A investigação apura um grupo empresarial suspeito de utilizar estruturas societárias e financeiras no exterior para ocultar a origem e a destinação de recursos provenientes da exploração de jogos de azar e de apostas esportivas. Nas redes sociais, Wilians divulga fotos em iates e viagens pelo mundo, demonstrando um alto padrão de qualidade de vida. A fortuna do advogado foi avaliada pela Forbes em R$ 1,2 bilhão, no ano de 2020. Nas investigações desta quinta, a mansão do advogado foi alvo de buscas. Segundo apuração do g1, Wilians é suspeito de atuar como operador financeiro do grupo investigado. Além desta operação, o responsável pelo escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV), considerado o maior da América Latina pela revista Veja em 2016, também foi investigado pela relação com o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais operadores do esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões no INSS. No caso que envolve os aposentados e pensionistas, os relatórios de inteligência financeira citados pela CPMI apontam movimentações de R$ 4,3 bilhões envolvendo o escritório de Wilians, incluindo cerca de R$ 28 milhões em transações diretas com empresas e pessoas ligadas a Camisotti. O advogado nega as irregularidades e nem ele nem seu escritório foram condenados em nenhuma das investigações. 'O mercado me percebeu' Em entrevista publicada pela Forbes, em 2024, o advogado contou a própria história e revelou como elevou o escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) ao posto de “mais relevante da América Latina”. Segundo a revista, há dois anos, Nelson comandava 29 filiais em todo o país, além de possuir representações em outros países do continente americano, na Ásia e na Europa. No Brasil, o NWADV alcançou relevância nacional em 2015 após fechar um contrato milionário com o Banco do Brasil. Wilians revelou na entrevista à Forbes que a licitação aberta pelo BB previa, em 2013, R$ 967 milhões em honorários destinados à terceirização de serviços de advocacia. O escritório dele abocanhou 70% desse bolo, cerca de R$ 677 milhões. — Nessa hora o mercado me percebeu — disse o advogado à Forbes. A entrevista ressalta que, durante dois anos, a licitação enfrentou problemas e foi suspensa em alguns momentos, mas o contrato foi assinado definitivamente em 2015. — Até então, me chamavam de louco. A partir daí, passei a ser o Nelson corajoso — disse Wilians à Forbes, fazendo alusão ao contrato que deu projeção nacional ao seu trabalho. Operação Arena e outras investigações Nesta quinta, a PF executou 17 mandados relacionados à Operação Arena. Todos foram expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba. A Justiça também autorizou a quebra de sigilos telemático e bancário e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão, nos estados da Paraíba, de São Paulo, de Sergipe, do Rio de Janeiro e do Paraná. A PF informou que os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de evasão de dívidas, lavagem de dinheiro, além de outros crimes contra o sistema financeiro nacional. A mansão de Wilians foi vasculhada por agentes à procura de documentos e outros elementos que possam embasar as investigações, e o advogado ainda não se pronunciou sobre o caso. Na investigação relativa aos desvios do INSS, a defesa do advogado afirmou que "a investigação inicial tratava de uma suposta lavagem de dinheiro relacionada à compra de um imóvel do Sr. Maurício Camisotti". O advogado de Wilians, Santiago Shunck, afirmou que as negociações com Camisotti ocorreram "muito antes de ele prestar serviços ao INSS e dizem respeito, entre outras transações regulares, à aquisição do terreno vizinho à residência de Nelson".