0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi — Foto: Kyodo News/Reuters A primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, enfrenta crescente resistência dentro de seu partido governista, o Partido Liberal Democrata (PLD), em reduzir drasticamente o imposto sobre o consumo de alimentos. Seus correligionários veem a medida como populista e questionam se houve discussões suficientes sobre o financiamento da medida. Hiroshi Moriyama, ex-secretário-geral do PLD, está entre os opositores que criticaram Takaichi por ignorar as objeções internas do partido, alegando tratar-se de uma promessa de campanha. "A discussão sobre onde encontrar os recursos nem sequer começou", disse Moriyama durante uma reunião do partido na sexta-feira, na cidade de Kagoshima, sua base eleitoral. Apenas dois dias antes, em 5 de agosto, o gabinete de Takaichi e o partido governista decidiram reduzir o imposto sobre o consumo de alimentos e bebidas de 8% para 1%, por um período de dois anos. "Um corte de impostos sem fonte de financiamento afetará a confiança nos títulos da dívida pública do Japão", disse Moriyama a repórteres após a reunião de sexta-feira. Moriyama renunciou ao cargo de membro sênior da comissão de política tributária do PLD no outono passado, quando Takaichi formou seu governo. Ele é um defensor de longa data da disciplina fiscal e tem criticado a política fiscal expansionista de Takaichi. Em junho, outra figura de peso do PLD, Yuko Obuchi, anunciou que deixaria o cargo de membro sênior do painel de política tributária do partido. Obuchi justificou a decisão citando sua oposição ao corte do imposto sobre o consumo. "Um por cento não é aceitável", disse Moriyama a Obuchi quando se encontraram, em 19 de junho. Durante as discussões entre os membros executivos da comissão tributária até o final de julho, o número de participantes que se opunham ou expressavam preocupações com a proposta de corte do imposto sobre o consumo superou o daqueles que a apoiavam, segundo várias fontes. No entanto, a medida de alívio no imposto sobre o consumo avançou sem consenso entre os executivos do órgão, que somam cerca de 30 pessoas. "Mesmo que seja uma meta política fundamental da presidente do PLD, Takaichi, os procedimentos e regras do partido não devem ser ignorados", escreveu o ex-ministro da Justiça Yoshihisa Furukawa a Itsunori Onodera, presidente da comissão tributária. As críticas à redução do imposto sobre consumo se espalharam para além dos membros seniores da comissão tributária, e o debate começa a se assemelhar a uma disputa de poder interna no partido. Taro Kono, que ocupou vários cargos no gabinete — incluindo o de ministro das Relações Exteriores —, afirmou em um programa de televisão na segunda-feira que, diante de recursos limitados, pagamentos em dinheiro direcionados a pessoas necessitadas são a resposta adequada ao aumento do custo de vida. "O imposto sobre consumo é uma fonte de financiamento para a seguridade social", disse Kono. "Sempre fui fundamentalmente contra a sua redução." A ex-ministra da Defesa Tomomi Inada alertou, em 1º de agosto, que "se simplesmente seguirmos as palavras da primeira-ministra sem discussão, não estaremos realmente apoiando-a como partido governista". O antecessor de Takaichi, Shigeru Ishiba, e membros de seu círculo próximo que integraram o gabinete de Ishiba criticaram a redução do imposto sobre consumo. "A moeda vai se desvalorizar. E os preços vão subir", disse Ishiba em 7 de agosto, durante um programa no YouTube. Seiichiro Murakami, ex-ministro de Assuntos Internos sob a gestão de Ishiba, criticou duramente o corte de impostos após uma reunião do PLD no início deste mês. "Fazer isso sem financiamento é extremamente perigoso para as finanças públicas", afirmou. Uma pesquisa da “Nikkei Asia”/TV Tokyo divulgada em julho mostrou uma maioria relativa de 48% a favor da redução do imposto sobre consumo combinada com um crédito tributário reembolsável para trabalhadores de renda média e baixa, enquanto 44% se opunham à medida. "A oposição ao corte de impostos definirá claramente um ponto de divergência com a primeira-ministra", disse um ex-ministro do gabinete. Isso abriria caminho para candidatos que buscam desafiar Takaichi na eleição para a liderança do PLD no próximo ano, segundo essa fonte. Nesse contexto, Yoshimasa Hayashi, o atual ministro de Assuntos Internos, tem atraído a atenção de observadores políticos. Hayashi manifestou oposição à redução do imposto sobre consumo durante a eleição geral de fevereiro. Na disputa pela liderança do PLD em 2025, ele ficou em terceiro lugar, atrás de Shinjiro Koizumi — atual ministro da Defesa —, que ficou em segundo. Hayashi tem mantido contato com parlamentares que não estão totalmente alinhados ao governo de Takaichi, como Obuchi e Ishiba. Por outro lado, Ishiba, enquanto primeiro-ministro, presidiu a derrota avassaladora do PLD nas eleições para a Câmara Alta no ano passado, e o amargor dessa perda ainda persiste entre os membros do partido. Apesar de certo desgaste, o índice de aprovação do gabinete de Takaichi está acima de 50%, patamar superior ao de governos anteriores.