O orgasmo e a morte estão ligados. No prazer máximo, como no fim da vida, a individualidade se dissolve e perdemos o controle de nós mesmos —assim, o filósofo Georges Bataille batizou o gozo de "pequena morte". Esse é também o nome do assassino de "Acampamento Miasma: Adolescência, Sexo e Morte", que sai das profundezas de um lago para perfurar corpos e decepar cabeças de jovens desavisados.
A semelhança do enredo com outras produções do terror não é coincidência. O novo filme de Jane Schoenbrun é uma espécie de fábula "slasher", subgênero em que sangue espirra para todo o lado. Há uma mensagem sublime, porém, sobre como o cinema —e a cultura, no geral— castrou mulheres e pessoas queer por décadas com narrativas estereotipadas e padronizadas.
Schoenbrun parece usar o conceito de Bataille para fantasiar sobre uma libertação queer, o gozo, a partir da deglutição desses traumas.
"Somos todos sexualmente ferrados, porque os impulsos sexuais estão presentes desde o início [da vida]. E antes mesmo de aprendermos a falar, já somos moldados pelo mundo ao nosso redor, que é doente, misógino e repleto de uma violência que carregamos dentro de nós", disse Schoenbrun, na sala de um hotel no último Festival de Cannes.













