A Agenda 2030 das Nações Unidas talvez seja um dos projetos políticos mais ambiciosos deste século. Seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propõem enfrentar alguns dos maiores desafios contemporâneos, como a pobreza, a fome, as mudanças climáticas, a desigualdade, a degradação ambiental e o fortalecimento das instituições democráticas.
Mas há um problema que acompanha essa agenda: ela é conhecida muito mais por suas metas, indicadores e siglas do que pelas histórias humanas que procura transformar.
Poucas pessoas sabem identificar um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável. Mas milhões de brasileiros conhecem, na própria pele, aquilo que esses objetivos pretendem enfrentar. Vivem a insegurança alimentar, a ausência de saneamento básico, a precariedade da moradia, os impactos de eventos climáticos extremos, a dificuldade de acesso à saúde, a violência contra populações vulneráveis, a degradação ambiental e a falta de oportunidades de trabalho digno.
A distância entre os documentos internacionais e a experiência cotidiana não é apenas um problema de comunicação. É um desafio democrático. Afinal, compromissos públicos só se tornam efetivos quando a sociedade consegue reconhecê-los como parte da própria realidade.







