Terminar uma relação por mensagem, ainda que escrita e reescrita com todo o cuidado por quem quer colocar o ponto final, já me parece um grande descuido de nossos tempos. Tempos que se servem de argumentos como "queria deixar tudo claro" ou "escrever me ajuda a organizar os pensamentos" como desculpas para desorganizar as emoções alheias sem ter que lidar com os sentimentos ambíguos e obscuros que aparecem em todo fim.
As lágrimas, a decepção, os pedidos de explicação de porquês do que não tem porquês; as acusações que colocam lá embaixo quem termina, intercaladas com súplicas por novas chances que afundam a autoestima de quem quer tentar só mais uma vez… Tudo isso está contido nas histórias de amor. Das mais breves aos casamentos mais longevos. Chama-se ambiguidade. Humanidade.
Terminar por mensagem é tentar esterilizar um corte que, justamente por ser corte, tem mais chances de cicatrizar se houver espaço para a dor escorrer, para a ferida ficar exposta. Não se poupa o incômodo para preservar o que foi bom: é preciso deixar a sujeira à mostra para que aquilo tudo, enfim, sare.
Mas a evitação pode ganhar contornos ainda mais perversos quando, para driblar qualquer mal-estar e mal-entendido, terceirizamos à inteligência artificial a escolha das palavras mais gentis e bem-acabadas.










