Idealizador da Marcha para Exú, que chega à quarta edição em São Paulo, ele fala sobre a trajetória no Candomblé e na Umbanda e a relação com a espiritualidade 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jonathan Pires — Foto: Divulgação Em meio a um movimento de maior visibilidade das religiões de matriz africana nas redes sociais, temas como Umbanda e Candomblé vêm ganhando espaço também fora dos espaços tradicionalmente ligados à prática religiosa. É nesse contexto que a Marcha para Exú chega à quarta edição, marcada para o próximo domingo (16), na Avenida Paulista, em São Paulo. A organização estima reunir mais de 800 mil pessoas em uma manifestação que pretende celebrar essas tradições e chamar atenção para o combate à intolerância religiosa. Idealizada pelo umbandista Jonathan Pires, que atua nas redes sociais com conteúdos sobre religiões de matriz africana, a marcha começou em 2023 e, segundo ele, ganhou dimensão nacional ao longo das edições. Para este ano, são esperadas caravanas de diferentes regiões do país. "As caravanas estão vindo de todas as partes do País. A marcha cresceu muito em visibilidade e também se tornou uma grande manifestação de confraternização entre seguidores de religiões de matriz africana", afirma. A concentração está prevista para acontecer nas proximidades do Masp. A orientação divulgada pela organização é que os participantes usem roupas pretas e vermelhas e levem 1 kg de alimento não perecível para doação. Por que a marcha usa a palavra 'macumba'? A edição deste ano mantém o slogan "nunca foi sorte, sempre foi macumba". A escolha parte de uma tentativa de ressignificar uma palavra que, embora tenha diferentes sentidos e origens, também é usada de forma pejorativa para se referir às religiões de matriz africana. A proposta do evento é valorizar tradições como Umbanda e Candomblé e, ao mesmo tempo, se posicionar contra o preconceito religioso. Para Jonathan, a manifestação não pretende se vincular a disputas partidárias ou interesses empresariais. "A marcha é um movimento independente de partido político ou vinculação empresarial. É um encontro pela paz e pela valorização das nossas crenças", pontua. A relação do idealizador com essas tradições começou ainda na adolescência. Aos 17 anos, ele entrou para o Candomblé, em Itapevi, na Grande São Paulo. Anos depois, aproximou-se da Umbanda, religião que segue atualmente. Ao falar sobre essa trajetória, Pires associa a experiência religiosa a uma transformação pessoal que também está na origem do trabalho que desenvolve hoje. "Carrego uma fé muito grande comigo e gosto de compartilhar isso com o mundo. Vamos mostrar, mais uma vez, que as religiões de matriz africanas fazem parte da cultura brasileira e que estamos aqui para promover a paz, o amor e o acolhimento para todos que querem se encontrar com a espiritualidade", conclui.