A Marcha para Jesus deste ano foi marcada menos por debates sobre fé do que pela discussão sobre os limites entre religião e política. É o que aponta um levantamento da consultoria Ativaweb DataLab, que analisou mais de 17 milhões de menções públicas nas redes sociais nas primeiras 20 horas após o evento realizado em São Paulo.

Segundo o estudo, a principal narrativa identificada foi a crescente rejeição ao uso político da religião. Os pesquisadores afirmam ter encontrado um volume expressivo de manifestações de cristãos criticando a transformação da Marcha em espaço de disputa eleitoral.

O diagnóstico foi feito um dia depois de o evento reunir nomes que já se movimentam para a sucessão presidencial, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), além do advogado-geral da União, Jorge Messias, representante do governo Lula.

Nas redes, a expressão "Marcha para Jesus ou Marcha para Bolsonaro?" apareceu entre as críticas mais recorrentes mapeadas pelos pesquisadores. O estudo conclui que parte significativa dos comentários questionou a presença de pré-candidatos e o uso de discursos religiosos associados à disputa eleitoral.