Apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento, porém, diz que orientou autoridades a evitarem 'discursos políticos' em ano eleitoral Ricardo Nunes, Flávio e Tarcísio na Marcha para Jesus, nesta quinta (4), em São Paulo; Messias estava na outra ponta do trio — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 10:43 Marcha para Jesus em SP reúne Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, evitando discursos políticos A Marcha para Jesus em São Paulo reuniu figuras políticas como Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas, sob a orientação de evitar discursos políticos em ano eleitoral. Organizado por Estevam Hernandes, o evento contou com a presença do ministro Jorge Messias, enquanto Lula manteve a tradição de não comparecer pessoalmente. Flávio e Tarcísio se reencontraram após tensões recentes, e a expectativa é que as campanhas políticas se aproximem com o início do período eleitoral. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Marcha para Jesus, principal evento evangélico do país, teve início por volta das 10h15 deste feriado de Corpus Christi em São Paulo. Representante do governo Lula, o ministro da advocacia-geral da União (AGU), Jorge Messias, chegou cedo, acenou a fiéis e gravou vídeo ao lado do apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento. A partida do trio principal, contudo, só ocorreu com a chegada do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), acompanhado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e dos deputados federais Sóstenes Cavalcante e Guilherme Derrite, este candidato ao Senado no estado. Apesar do ano eleitoral, existe a expectativa de abordagens amenas. Flávio tem procurado se distanciar da imagem de radical herdada do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e não deve protagonizar discurso na linha do adotado por ele há quatro anos. Na ocasião, Jair definiu o pleito como uma "guerra do bem contra o mal" e afirmou ser "contra o aborto, a ideologia de gênero e a liberação das drogas", apostando na pauta de costumes que ressoa em públicos conservadores. — Não haverá discursos políticos, eu tenho orientado a todos nesse sentido. O nosso programa será a fala do governador e do prefeito e uma oração por todos. Caso haja fala, não será com teor político — adiantou o apóstolo Estevam Hernandes, líder da Igreja Apostólica Renascer em Cristo e responsável pela organização da Marcha para Jesus. Messias comparece pelo quarto ano seguido no lugar de Lula, que encerra o terceiro mandato sem participar da caminhada. O presidente costuma enviar uma carta para ser lida no palco. Será a primeira vez, por outro lado, que o ministro encontra o público depois de ter a nomeação ao STF barrada pelo Senado, em um revés para o governo com a digital do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Lula avalia reenviar a indicação, mas a estratégia gera debate interno do ponto de vista político e jurídico. Messias, na Marcha para Jesus, em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo Pela sua proximidade com o segmento — ele frequenta a Igreja Batista desde a infância —, o chefe da AGU recebeu o apoio na empreitada de bispos com milhares de fiéis em suas congregações. Parte deles reforçaram, inclusive, o corpo a corpo final com os senadores antes da derrota histórica. Outro entusiasta da entrada de Messias na Corte era André Mendonça, ministro do STF indicado por Bolsonaro sob a credencial de "terrivelmente evangélico". Ele também é esperado na Marcha. A edição marca ainda o reencontro entre Flávio e Tarcísio após a operação da Polícia Civil de São Paulo contra Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora de "Dark Horse", filme que enaltece a trajetória política de Jair Bolsonaro misturando fatos com ficção. A corporação investiga se, no contrato de R$ 157 milhões da prefeitura de São Paulo com a ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida por ela, para instalação de pontos de wi-fi na capital, houve direcionamento de licitação, sobrepreço e desvio de dinheiro público para a obra. Marcha para Jesus, nesta quinta (4), em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo Segundo apurou o GLOBO, a operação provocou incômodo nos bastidores da direita. Além de trazer de volta à pauta as polêmicas sobre "Dark Horse", que envolvem ainda uma contribuição de R$ 61 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a pedido de Flávio Bolsonaro, a ação da polícia mirou a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), responsável pelo contrato com o ICB. Nunes também participa do evento desta quinta, como costuma ocorrer todos os anos. – A operação da polícia é uma coisa que a gente não interfere. A polícia tem autonomia para fazer as suas investigações e operações. Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda. Sempre vai ser assim. A polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado — afirmou Tarcísio, depois do episódio. Um dia antes, Flávio alegou que a investigação não diz respeito ao filme, o que ainda não foi descartado pela polícia: — Eu só não quero crer que a gente está sendo vítima, mais uma vez, de uma pescaria probatória, de uma perseguição, porque, se vão fazer uma operação para investigar irregularidades em um determinado contrato, que é de um ano e meio, dois anos para trás, tudo bem, as pessoas vão ter que explicar, o que não tem absolutamente nada a ver com o filme — declarou o filho de Bolsonaro. Até o fim da semana passada, o entorno de Flávio Bolsonaro dava como certa a ausência do senador na Marcha para Jesus de São Paulo, assim como ocorreu na edição do Rio de Janeiro. A mudança nos planos ocorreu após o anúncio, pelos Estados Unidos, da classificação do PCC e Comando Vermelho como organização terrorista, uma das bandeiras de Flávio e uma das tentativas de sua campanha para "virar a chave" e mudar a agenda. Nas últimas semanas, após a divulgação da visita de Flávio a Vorcaro, ocorreu uma espécie de "guerra fria" entre os núcleos de Flávio e Tarcísio. De um lado, o governador reforçou o distanciamento estratégico da campanha do aliado com receio de se "contaminar" com "encrencas de terceiros", nas palavras de um aliado. A postura deu resultado perante a opinião pública, segundo avaliações internas, mas gerou novos focos de reclamação no grupo bolsonarista. Do outro lado, segundo um amigo do senador que também é próximo do governador, o entorno de Flávio ficou incomodado com a falta de apoio do Tarcísio no caso. Viram nas falas de Tarcísio, nas últimas semanas, um “zagueiro que chuta a bola para a torcida, em vez de tocá-la e segurar o jogo”. Eles não vinham se falando desde o evento de lançamento da campanha ao Senado do deputado federal Guilherme Derrite (PP), no dia 15 de maio, por falta de iniciativa de ambos. Ainda assim, a perspectiva das duas campanhas é de que essa distância seja pelo menos encurtada com o início oficial do período eleitoral — e Tarcísio cumpra a promessa pública de organizar o palanque do senador contra Lula em território paulista. A Marcha para Jesus chega à 34ª edição em São Paulo. Considerado o maior evento evangélico do país, adota um versículo bíblico como lema e projeta a participação de 2 milhões de pessoas na caminhada de três quilômetros entre o Metrô da Luz até a Praça Heróis da FEB, próxima do Campo de Marte, acompanhada por oito trios elétricos. Após os discursos de autoridades, uma série de shows de artistas gospel, como Aline Barros e Thalles Roberto, ocorrem até o anoitecer. Haddad vai ao interior Adversário de Tarcísio nas urnas, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) planeja ida à tradicional festa de Corpus Christi de Matão (SP), em mais um esforço do petista de dialogar com o eleitorado do interior de São Paulo. Cerca de 50 mil pessoas são esperadas no evento, realizado há 78 anos pela comunidade católica do município. Um dos atrativos é a montagem de tapetes decorativos, que cobrem centenas de metros no entorno da Igreja da Matriz.
Marcha para Jesus reúne Flávio, Tarcísio e Messias no palco principal em São Paulo
Apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento, porém, diz que orientou autoridades a evitarem 'discursos políticos' em ano eleitoral













