O governo Lula não quis correr o risco de ser acusado de abuso de poder religioso pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e por isso preferiu adotar uma postura mais discreta na Marcha para Jesus, realizada nesta quinta-feira (4) em São Paulo.

Representante da gestão federal no evento, o ministro Jorge Messias, da Advocacia Geral da União, apenas desfilou no trio elétrico do evento, mas não discursou, ao contrário do que fez em anos anteriores.

Oficialmente, o ministro seguiu a orientação do presidente Lula, que, em uma chamada para o apóstolo Estevam Hernandes, organizador da Marcha, justificou sua ausência dizendo que não queria fazer política em um evento sagrado.

Com isso, estabeleceu um contraste com a postura de Flávio Bolsonaro (PL), que prometeu em discurso que o mal seria expulso do governo do Brasil.

O conceito de abuso de poder religioso ainda é tema de debates no TSE, que já rejeitou torná-lo um tipo penal autônomo. Em decisões anteriores, no entanto, aceitou que pode ser um elemento para caracterizar abuso de poder político de forma ampla.