O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse não ter ido à Marcha para Jesus nesta quinta-feira (4), em São Paulo, para não "passar a ideia" de que ele está "tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada". A afirmação foi proferida em ligação com o bispo Estevam Hernandes e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, durante o evento. "Eu vou lhe contar porque eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", declarou Lula ao bispo por telefone. O vídeo do diálogo entre eles foi publicado nas redes sociais. O principal oponente do atual presidente da República nas eleições deste ano, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), compareceu à Marcha para Jesus nesta quinta e fez um discurso em tom eleitoral, chamando o pleito de “guerra espiritual”. O petista também agradeceu pelo "acolhimento" dado pelo bispo a Messias, que é evangélico, durante a marcha. O presidente já declarou que irá indicar novamente o AGU ao posto vago no Supremo Tribunal Federal (STF), após a primeira indicação ter sido rejeitada pelo Senado. "Muito obrigado pelo carinho com o companheiro Messias", afirmou Lula. Estevam Hernandes respondeu falando que o AGU é um "grande irmão". Em sua fala no evento, Messias defendeu “diálogo, perdão e reconciliação” ao fazer referência à sua nova indicação ao STF. Se esta nomeação se concretizar, o indicado terá que passar novamente pelo processo de sabatina e de deliberação da indicação pelos senadores. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no entanto, teria prometido aos parlamentares da oposição, ao articular a derrota de Messias, não votar uma nova indicação ao STF até o fim do processo eleitoral deste ano. Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial, no Palácio do Planalto — Foto: Adriano Machado/Reuters