PUBLICIDADE Artista mineiro expõe em Paris telas criadas a partir de referências de grandes estilistas para divindades das religiões de matriz africana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 'Assistência a estrelas' (2026), obra de Gustavo Nazareno — Foto: Everton Ballardin/Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/07/2026 - 18:52 Gustavo Nazareno Transforma Orixás em Ícones de Alta Costura em Paris O artista mineiro Gustavo Nazareno transforma orixás em ícones de alta costura em suas obras, expostas em Paris. Inspirado por estilistas como McQueen e Galliano, Nazareno cria peças que misturam simplicidade e opulência, refletindo a riqueza das religiões de matriz africana. Suas pinturas, feitas a óleo ou carvão, evocam editoriais de moda e revelam sua ligação espiritual com os orixás. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Nem passa pela cabeça de Gustavo Nazareno um dia trabalhar com moda. “Jamais. Prefiro ser um admirador. Várias pessoas tentam me empurrar para isso, mas é uma coisa que não tenho vontade”, conta. O artista — um dos nomes da arte contemporânea brasileira com projeção internacional e trabalhos que transitam pelo universo das religiões de matriz africana — tem, no entanto, os seus clientes fixos. Divindades como Exu e Pombagira são, para ele, como modelos na passarela, à maneira de Naomi Campbell e Debra Shaw. O artista se referencia em designers como Alexander McQueen, John Galliano, Issey Miyake e Rei Kawakubo. Desses criadores, extrai tanto a simplicidade quanto a opulência que aparecem em pinturas como as apresentadas na exposição “Como cultivar uma flor de uma supernova”, em cartaz na Opera Gallery, em Paris, até quarta-feira (15). Assim, a vestimenta, em sua prática, é central na narrativa: “Uso a roupa para contar história, o que é mais ou menos o que o designer propõe dentro da moda”. Gustavo Nazareno em seu estúdio em São Paulo — Foto: Divulgação Feitos a óleo ou como desenhos em carvão, o trabalho se assemelha a retratos de campanhas de moda ou a fotografias de Irving Penn (1917-2009), que redefiniu a linguagem dos editoriais com composições simples e fundos neutros. A associação com moda faz sentido: antes da produção das telas, o artista constrói a composição vestindo manequins com roupas desenhadas e costuradas por ele próprio. O que surge desse processo são imagens carregadas de dramaticidade, em que a moda se revela dentro de sua imaginação visual. Ele pensa desde adornos com plumagem na cabeça de seus personagens míticos até roupas ora volumosas, ora mais justas. “É meio narcisista, mas fico muito contente quando obtenho sucesso em um trabalho, que vejo a roupa e falo: ‘Uau, não preciso nem de um fundo aqui’”. 'Ferro' (2026), obra de Gustavo Nazareno que pertence à série 'Passagem' — Foto: Everton Ballardin/Divulgação Obras de Gustavo Nazareno 1 de 6 'Assistência a estrelas' (2026), obra de Gustavo Nazareno — Foto: Everton Ballardin/Divulgação 2 de 6 'Ferro' (2026), obra de Gustavo Nazareno que pertence à série 'Passagem' — Foto: Everton Ballardin/Divulgação X de 6 Publicidade 6 fotos 3 de 6 'Tempo e ordem em colapso' (2026), obra de Gustavo Nazareno — Foto: Everton Ballardin/Divulgação 4 de 6 'Mercúrio está em repouso' (2026), obra de Gustavo Nazareno — Foto: Everton Ballardin/Divulgação X de 6 Publicidade 5 de 6 'Raflésia' (2025), obra de Gustavo Nazareno que pertence à série 'Passagem' — Foto: Everton Ballardin/Divulgação 6 de 6 'Netuno' (2026), obra de Gustavo Nazareno — Foto: Everton Ballardin/Divulgação X de 6 Publicidade . Toda a riqueza das imagens se deve ao fato de o artista considerar que “a opulência faz parte da religião”. No candomblé, há códigos de indumentária que determinam que, quanto mais rica a vestimenta — em tecidos, volumes, bordados etc. —, maior a reverência ao sagrado. “A atmosfera onírica das obras permite tamanha exuberância: um adorno para a cabeça pode evocar, ao mesmo tempo, uma auréola, uma coroa de estrelas ou a mais recente silhueta da haute couture”, comenta Marion Petitdidier, diretora da Opera Gallery e curadora da exposição. Por meio da moda, o artista constrói uma linguagem que se torna um elo entre sua obra e sua espiritualidade. “Minha obra completa muito minha fé. O que tenho de mais precioso é o tempo em que trabalho, e grande parte é dedicada aos orixás. Meu trabalho é minha oferenda”, diz sobre as criações para as divindades cultuadas em religiões de matriz africana. 'Raflésia' (2025), obra de Gustavo Nazareno que pertence à série 'Passagem' — Foto: Everton Ballardin/Divulgação A obra do artista ainda guarda referências de sua observação de obras renascentistas e barrocas. Natural de Três Pontas, Minas Gerais, ele visitava igrejas do período colonial, onde as imagens sacras já apresentavam a dramaticidade e a religiosidade que se vê em suas pinturas. Nos próximos meses, Nazareno ainda estará em cartaz em uma individual no Museu DuSable de História Negra, em Chicago, nos EUA, e terá seu trabalho apresentado em uma exposição coletiva no Centro Andaluz de Arte Contemporâneo, em Sevilha, na Espanha. “Sou protagonista, mas também espectador. Foi muito batalhado”, ele reflete sobre este momento especial.