De 10 a 14 de agosto de 2026, movimentos populares, sindicatos, pastorais sociais e organizações de todo o Brasil realizam a Semana Nacional de Enfrentamento à Violência no Campo. A mobilização é uma iniciativa da Campanha Contra a Violência no Campo, coalizão formada há quatro anos por mais de 70 entidades comprometidas com a defesa da vida, dos territórios e dos direitos dos povos do campo, das florestas e das águas.

A semana tem como marco o dia 12 de agosto, Dia de Luta Contra a Violência no Campo, instituído em memória de Margarida Maria Alves, sindicalista rural assassinada em 1983, em Alagoa Grande (PB), depois de anos denunciando a exploração de trabalhadoras e trabalhadores da cana-de-açúcar na Paraíba. Mais de quatro décadas depois, seu nome segue como símbolo da resistência dos povos do campo.

O calendário de agosto carrega ainda outra data de luto e resistência. No dia 17, a Semana coincide com os três anos do assassinato de Mãe Bernadete Pacífico, ialorixá e coordenadora nacional da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), morta dentro de casa em 2023, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA) — crime diretamente relacionado a conflitos fundiários e à especulação imobiliária sobre o território quilombola. Mãe Bernadete já denunciava ameaças havia anos e integrava o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos; seu filho, Flávio Pacífico dos Santos, havia sido assassinado em 2017 pelas mesmas razões.