Normalmente, Fundo Garantidor faz operações de crédito para troca de comando ou saída de instituições do mercado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — Foto: Divulgação / FGC A operação de crédito de R$ 6,6 bilhões solicitada pelo Distrito Federal para capitalizar o Banco de Brasília (BRB) é considerada atípica dentro do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e pode ser mais um obstáculo para o governo local socorrer o banco, que vive uma grave crise financeira em virtude das operações realizadas com o Banco Master. Antes disso, para o FGC iniciar a análise do pedido, o governo de Celina Leão (PP) ainda precisa convencer os maiores bancos do país a constituírem garantia para o empréstimo e compartilhar os resultados financeiros mais recentes do BRB. O banco precisa de um aporte do controlador para fechar o buraco aberto pelos ativos herdados do Master e tentar escapar de uma intervenção pelo BC. Desde que as suspeitas de fraudes nas operações com o Master vieram a público em novembro passado, a credibilidade da instituição vem sendo questionada e a liquidez, afetada. Quanto mais passa o tempo sem nenhuma solução, a situação do BRB se complica. O objetivo do DF é pegar o empréstimo junto ao fundo privado para salvar o banco, sem alterar seu status atual, ou seja, mantendo o BRB como patrimônio e sob o controle do governo local. Ocorre que, normalmente, as linhas de assistências disponibilizadas pelo FGC são destinadas a viabilizar a saída organizada de mercado ou troca de controle de instituição com problemas. Foi o caso, por exemplo, do próprio Master em 2025. Essa destinação é de praxe para evitar risco moral, ou seja, para evitar incentivar que outros bancos assumam excessivos, contando que outro agente, no caso o fundo, pague a conta. Em ofício enviado à governadora na quinta-feira passada, o FGC deixa isso claro que o formato da operação requerida difere do que é praxe no fundo. O Fundo diz que pode conceder operações de assistência aos seus associados quando avaliar, de acordo com seus processos e critério próprio, que tais operações são economicamente e juridicamente pertinentes. “Cabe destacar ainda que tais operações costumam ter como objetivo viabilizar a saída organizada de mercado ou troca de controle de instituição frágil, remédios fundamentais para mitigação do risco moral que emerge da celebração de tais medidas”, afirma o FGC. O documento foi enviado em resposta a um “pleito formal de contratação de empréstimo” enviado por Celina ao fundo no dia 31 de julho. Nele, a governadora afirma que ao FGC só se apresentam duas opções: emprestar com juros R$ 6,6 bilhões a “ente bom pagador” ou “suportar o desembolso de quase R$ 20 bilhões para reposição de perdas sem qualquer certeza de ressarcimento”, em referência a uma eventual liquidação. No documento, Celina ainda requereu a “análise e a formalização do empréstimo” no prazo de 2 dias úteis. Na resposta, o FGC destaca que não é uma instituição financeira e que sua atribuição é prestar garantias aos clientes e investidores de bancos associados em caso de liquidação pelo Banco Central. Além disso, o fundo pode conceder as linhas de assistência financeira, caso seja pertinente. No caso específico, o FGC ainda disse que não recebeu todos os documentos necessários à análise do pedido de empréstimo feito pelo governo do DF em março, com destaque para os balanços auditados do BRB de 2025 e do primeiro semestre de 2026. O banco não divulga seus resultados desde o segundo semestre do ano passado. No domingo, por sua vez, Celina Leão disse que o banco não pode publicar o balanço antes de estar resolvido o empréstimo, senão será liquidado. A cobrança dos resultados financeiros do BRB também constou da manifestação do FGC ao ministro Luiz Fux, do STF, que, após petição do DF, marcou uma nova audiência de conciliação entre União e DF para tentar destravar o empréstimo. Pelo acordo firmado na corte em maio, a garantia ao FGC seria constituída por um sindicato de bancos, que seriam assegurados pelas verbas do DF relativas aos Fundos de Participações dos Municípios e dos Estados. Mas as instituições financeiras questionam a constitucionalidade das contragarantias e a capacidade de o BRB se manter vivo mesmo após eventual empréstimo. Como a negociação não foi à frente, o governo de Celina Leão tenta uma nova cartada no STF para resolver o problema sem prejudicar a campanha da governadora ao Palácio do Buriti.
Empréstimo solicitado pelo DF para salvar BRB é visto como atípico dentro do FGC
Normalmente, Fundo Garantidor faz operações de crédito para troca de comando ou saída de instituições do mercado










