Para Carlos Thadeu de Freitas, economista sênior da corretora BGC, há sinais de que uma demanda mais débil está impulsionando a desinflação em segmentos de serviços.PUBLICIDADEEle nota que a inflação dos serviços pessoais, que rodava em torno de 0,75% ao mês até abril, recuou para valores em torno de 0,4% de maio a julho. Os pacotes de turismo, que subiram 7,1% em 2025, acumulam queda este ano de 7,5% até julho de 2026. Já os hotéis, que se elevaram 10% no ano passado, sobem apenas 1,35% até julho.Na sondagem da FGV, nos serviços de alojamento, apenas 10% reportam uma atividade forte, nível próximo do patamar entre 5% e 10% da pandemia."A atividade é o novo motor da desinflação, e esse efeito deve se transpor para os bens industriais neste segundo semestre", diz o analista.O economista aponta que os veículos novos recuaram 0,36% em julho, enquanto os usados tiveram queda de 0,4%. Já na ponta, na medição pelo Monitor de Inflação da FGV, os automóveis novos recuam 0,8%, e os usados caem 0,4%.Publicidade"O segundo semestre é intensivo em promoções e deve haver deflação de industriais", prevê Thadeu, que tem projeção de 4,7% para o IPCA fechado do ano, com viés de baixa.Já Fábio Romão, economista da 4intelligence, destaca que a desaceleração do IPCA na margem, de 0,16% em junho para 0,07% em julho, deveu-se tanto aos preços administrados como aos livres, com destaque para alimentação no domicílio e bens industriais.Ele acrescenta que, apesar de a média do conjunto de núcleos acompanhado pelo BC ter acelerado 0,21 para 0,26% entre junho e julho, a média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada dos serviços ex-passagens aéreas caiu de 5% para 4,8%, e os intensivos em trabalho de 7,6% para 7%.Romão, no entanto, aponta que as últimas divulgações dos índices de atacado indicam que "a lua de mel da alimentação vai ficar para trás".Nas suas projeções, a inflação da alimentação no domicílio deve subir de 1,4% em 2025 para 7,2% este ano, com contribuição do El Niño.PublicidadeA projeção da 4intelligence para IPCA de agosto é de deflação de 0,02%. No caso da alimentação no domicílio, a deflação se reduz entre julho e agosto, de -1,14% para -0,02%.PUBLICIDADEO economista cita como fatores favoráveis para a inflação de agosto o bônus do Itaipu, que deve levar a uma queda significativa do preço de energia, e a desaceleração em produtos de higiene pessoal.Pelo lado negativo em agosto, além da deflação de alimentos no domicílio perdendo ímpeto, Romão aponta a elevação do preço mínimo do cigarro, a alta sazonal da educação (mesmo que menor do que em fevereiro) e a sua previsão de alta das passagens aéreas.O analista da 4intelligence vê a fotografia do momento da inflação como melhor do que a perspectiva até o final do ano. Na sua projeção, o IPCA acumulado em 12 meses deve subir paulatinamente de 4,44% em julho para 5,29% em dezembro - fechando o ano, portanto, num nível bem acima do limite de tolerância do sistema de metas, de 4,5%.Fernando Dantas é colunista do Broadcast e escreve às terças, quartas e sextas-feiras (fojdantas@gmail.com)PublicidadeEsta coluna foi publicada pelo Broadcast em 11/8/2026, terça-feira (fojdantas@gmail.com)Vale ler tambémCom a IA, professores estão voltando a ser professoresO privilégio silencioso de quem tem poder dentro das empresasInflação volta a ficar abaixo do teto da meta, mas BC não dá pistas sobre novos cortes de juros