Em 12 meses até junho, empréstimos efetivados chegaram a R$ 190 bilhões, ante R$ 170 bilhões em 2025, ficando estáveis em relação ao tamanho da economia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nelson Barbosa, diretor do BNDES — Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo O aumento da atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nos últimos anos, incluindo 2026, não representa um grande estímulo à demanda na economia brasileira e tampouco um empecilho à atuação do Banco Central. A avaliação é do diretor de Planejamento e Relações Institucionais da instituição financeira, Nelson Barbosa, que também já foi ministro da Fazenda e do Planejamento. Na visão dele, o dado mais relevante para medir o efetivo impulso que o banco está gerando na atividade econômica do país é o desembolso de recursos para as empresas. Segundo dados que constam de nota técnica antecipada por ele ao GLOBO, os empréstimos chegaram a R$ 190 bilhões no dado acumulado em 12 meses até junho, que serão detalhados na entrevista coletiva do banco nessa quarta-feira. Em 2025, os desembolsos somaram R$ 170 bilhões. Em proporção do PIB, o nível subiu de 1,3% para 1,4%, nas contas do banco. Em 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, os desembolsos somaram cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Barbosa reafirma a projeção de que esse indicador deve chegar a 1,5% do PIB até o fim do ano. — Mais 0,4% ou 0,5% do PIB de crescimento está longe de ser excessivo. Não é isso que atrapalha a política monetária — afirma o economista. Ele reforça a narrativa de que "nem todo crédito público é crédito subsidiado", mas acrescenta um novo componente em seu discurso, explicando que o aumento dos aportes de recursos do governo para a instituição (as operações parafiscais, feitas com despesas financeiras do Tesouro, que em parte vão para o banco) não se torna demanda imediatamente na economia. — Aporte não é igual ao impulso de demanda. Impulso é desembolso — acrescenta Barbosa. Ele também entra no debate sobre os custos fiscais, destacando que o principal desses aportes voltará ao Tesouro e que o impacto negativo sobre a dívida se dá pela diferença entre as taxas recebidas e pagas pelo Tesouro. — Logo, o custo fiscal é bem menor do que o desembolso (e temos estimativas para todos os programas). E o custo fiscal líquido é menor do que o custo fiscal bruto, pois parte volta ao Tesouro via mais impostos. Além disso, tem retornos em termos de aumento de PIB, emprego e arrecadação, além de impactos não financeiros, as chamadas "externalidades", como redução de emissões, diversificação produtiva, menos acidentes etc, nas quais é difícil colocar preço, mas que tem valor para a sociedade. O diretor conta que na composição dos desembolsos do banco tem havido uma mudança na composição das fontes de recursos. O Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) tem perdido terreno em meio à alta da Taxa de Longo Prazo (TLP), enquanto a utilização de recursos próprios e de outros fundos públicos, em geral vindo do Tesouro tem crescido mais recentemente. Ainda assim, como mostra a nota técnica, o BNDES reforça que cerca de três quartos dos desembolsos acumulados em 12 meses até junho de 2026 (R$ 144 bilhões, ou 1,1% do PIB) ocorreram a taxas de mercado e não geraram subsídio. "O custo fiscal efetivo está circunscrito ao subsídio implícito sobre os R$ 46 bilhões (0,3% do PIB) desembolsados a taxas incentivadas, e mesmo esse custo corresponde apenas ao diferencial de taxas sobre o estoque das operações, e não ao valor nominal integral aportado ou aprovado", explica o documento. Barbosa também enfatiza que mesmo o aumento das aprovações do banco leva tempo para se tornar dinheiro circulando na economia porque o desembolso efetivo se dá em tranches ao longo do tempo em boa parte dos casos. Nas últimas semanas tem crescido o debate sobre as operações parafiscais do governo. Conforme O GLOBO noticiou nessa terça-feira, cálculos da consultoria BRGC mostram que as despesas financeiras do Tesouro, em grande parte para programas de crédito operado por bancos públicos (BNDES, Caixa e BB), totalizaram R$ 149 bilhões no primeiro semestre, quase o mesmo volume de todo o valor executado no ano passado, refletindo a atuação mais intensa do governo para sustentar a atividade econômica a partir de ações setoriais. Para Nelson Barbosa, o debate precisa ser qualificado também considerando os diferentes efeitos das politicas. — O relevante do ponto de vista fiscal é o impacto líquido sobre o balanço fiscal (custo de carregamento do programa para o Tesouro menos o quanto volta para o Tesouro via arrecadação) e o impacto além do financeiro, as externalidades, pois algumas coisas devem ser feitas mesmo quando o retorno financeiro é menor do que o custo financeiro porque o governo, ao contrário de empresas, também vê o retorno social, ambiental, tecnológico etc — defende. Para ele, aporte não é impulso, impulso não é custo fiscal, custo fiscal não é impacto fiscal, e impacto fiscal não é igual a impacto econômico e social.
Desembolsos do BNDES em 1,4% do PIB não representam impulso significativo de demanda, defende diretor do banco
Em 12 meses até junho, empréstimos efetivados chegaram a R$ 190 bilhões, ante R$ 170 bilhões em 2025, ficando estáveis em relação ao tamanho da economia












