Com lucro líquido recorrente recorde nos últimos doze meses, alta nos ativos totais e na carteira de crédito, maior patrimônio líquido da história e inadimplência abaixo da média do sistema financeiro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vem atuando para proteger o setor produtivo de riscos recentes e buscar novas oportunidades estratégicas no cenário global. Esse panorama foi apresentado no dia 12, no escritório da instituição na capital paulista, em evento com Aloizio Mercadante, presidente do banco; Alexandre Abreu, diretor financeiro e de Mercado de Capitais; Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais; Maria Fernanda Coelho, diretora de Crédito Digital para Micro, Pequenas e Médias Empresas; Tereza Campello, diretora socioambiental; e Jean Uema, diretor de Compliance e Riscos. "Um grande banco público como o BNDES precisa ter capacidade de intervenção para situações de grande impacto na economia", afirmou Mercadante. Entre os desembolsos emergenciais está a continuidade do Plano Brasil Soberano, voltado a mitigar os impactos de sobretaxas impostas pelos Estados Unidos e dos conflitos no Oriente Médio. Também integram o programa ações como a Liquidação de Dívidas Rurais, focada em produtores afetados por eventos climáticos recentes. As medidas incluem ainda o BNDES Renovação de Frota, que financia a compra de caminhões, ônibus e implementos novos e seminovos com taxas competitivas, e o Programa BNDES Emergencial para o Rio Grande do Sul, que apoia a reconstrução do estado após as enchentes de 2024. Somados, esses programas respondem por R$ 23,4 bilhões, ou 12,9% dos desembolsos acumulados nos 12 meses encerrados em março de 2026. Minerais críticos e IA Além de atuar em situações que fogem ao controle do setor produtivo e afetam a geração de emprego e renda, o BNDES tem usado seu desempenho financeiro para impulsionar projetos que podem melhorar o posicionamento do Brasil no cenário global. Segundo Mercadante, o banco analisa atualmente 56 projetos relacionados a minerais críticos, com potencial de chegar a R$ 50 bilhões em investimentos e crédito. "O Brasil tem a segunda reserva de terras raras do planeta. Se quisermos administrar esse bem estratégico, com soberania, temos que intensificar nossa capacidade de investimento", argumentou. Outra frente apoiada é o desenvolvimento de inteligência artificial (IA), que já recebeu R$ 10 bilhões em crédito. Também estão no radar os biocombustíveis, incluindo o etanol de milho, e o veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL) em desenvolvimento pela Eve, subsidiária da Embraer. O banco também pretende apoiar o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, cuja importação depende fortemente da Rússia, ainda em conflito com a Ucrânia. A segurança pública inteligente, com câmeras e sensores, e o reforço da infraestrutura — especialmente rodovias e ferrovias — também estão entre as prioridades. A instituição segue ainda financiando projetos da indústria nacional de medicamentos, como o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue pelo Instituto Butantan, que contou com crédito do BNDES. "Vamos financiar setores estratégicos para o futuro", disse Mercadante. Como lembrou Alexandre Abreu, a capacidade de investimento foi fortalecida por uma decisão tomada em 2022, quando a atual gestão assumiu: "Havia uma pressão para que vendêssemos ações em carteira, num momento em que elas estavam desvalorizadas. O fato de termos mantido esses papéis nos levou a receber R$ 74,7 bilhões desde então, incluindo via dividendos. Foi um dinheiro que veio para o BNDES e para o Estado brasileiro". Resultados recordes marcam avanço das operações do banco Indicadores apresentados em 12 de maio mostram que o BNDES registrou lucro de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre, alta de 17% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado de 12 meses, o lucro atingiu recorde de R$ 15,6 bilhões. Os ativos totais se aproximam de R$ 1 trilhão, chegando a R$ 995 bilhões — maior valor nominal da história. A carteira de crédito expandida alcançou R$ 678,2 bilhões, alta de 14% frente a 2025 e maior nível desde 2016. Já a carteira de participações societárias soma R$ 110,3 bilhões, enquanto o patrimônio líquido atingiu recorde histórico, com crescimento de 14%. O avanço ocorre junto ao aumento de consultas, aprovações e desembolsos na comparação com 2025: respectivamente 65%, 37% e 44%. O crédito cresce em diferentes setores: 67% na indústria, 51% na infraestrutura, 40% no agronegócio e 15% em comércio e serviços. O banco também voltou a apoiar projetos estratégicos do setor público em todo o país, com aumento de nove vezes na média anual de aprovações na comparação entre os períodos de 2019 a 2022 e de 2023 a 2026. As aprovações de operações de crédito para micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) cresceram 120% em 12 meses. Juntamente com o crédito viabilizado por garantias, totalizaram R$ 49,8 bilhões. Os resultados indicam que o banco segue a rota estabelecida pela diretoria, afirma Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais: "Colocamos como um dos nossos objetivos retomar o BNDES histórico, pré-crise de 2008. Estamos esperando atingir próximo dos 2% do Produto Interno Bruto (PIB) de aprovações até o final do ano. É uma recuperação gradual, consistente, responsável, que ajuda o crescimento da economia e da estabilidade financeira do país". Destaques financeiros do 1º trimestre R$ 3,1 bilhões de lucro recorrente (17% acima do 1º trimestre de 2025)R$ 191,7 bilhões de patrimônio líquido (14% acima do 1º trimestre de 2025)R$ 678,2 bilhões de carteira expandida (14% acima do 1º trimestre de 2025)0,046% de inadimplência de mais de 90 dias. A média do Sistema Financeiro Nacional é de 4,33%, e a das grandes empresas, de 0,6%. Fonte: BNDES Logo BNDES e Governo Federal — Foto: Divulgação
BNDES amplia crédito e aposta em minerais críticos e IA para fortalecer economia
Com resultados financeiros recordes, banco público financia programas emergenciais e analisa projetos estratégicos que podem somar até R$ 50 bilhões em investimentos















