Há dois anos, o último El Niño trouxe impacto forte nos preços de alimentos, com destaque para café e carnes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A queda dos preços de alimentos tem contribuído para segurar a inflação nos últimos dois meses, mas a expectativa de um fenômeno do El Niño forte pode reverter esse cenário. Por enquanto, no entanto, não dá para estimar qual será esse impacto. A avaliação é do gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Fernando Gonçalves, responsável pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Se [o El Niño] vier forte, como é a expectativa, trazendo prejuízos para a lavoura, isso pode trazer impacto [para a inflação] sim”. Gonçalves classificou o El Niño como uma “questão importante” para se avaliar a trajetória da inflação daqui para a frente e disse que é preciso observar como será esse efeito no padrão das chuvas. “Precisa aguardar como isso vai vir. A expectativa é que seja um El Niño forte, mas vamos ver como vai movimentar a atmosfera e onde vai colocar as chuvas e as secas, e o impacto final. É preciso aguardar as cenas dos próximos capítulos. No momento, qualquer coisa que se fale seria mera especulação”, afirmou o gerente do IBGE. Há dois anos, em 2024, o último El Niño trouxe impacto forte nos preços de alimentos, com destaque para café e carnes. Naquele ano, os preços de alimentação e bebidas subiram 7,69%, acima da taxa de 4,83% do IPCA geral. As altas de café e carnes foram ainda mais intensas, de 39,60% e 20,84%, respectivamente. As previsões divulgadas pelo Climate Prediction Center (CPC), dos Estados Unidos, são de 81% de probabilidade de que ocorra um El Niño muito forte entre os meses de novembro de 2026 e janeiro de 2027. — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo