Grupo 'Alimentação e bebidas' tem primeira queda desde novembro, mas chance de El Niño pode reverter parte do alívio no segundo semestre 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cesta básica no supermercado Merko, na Tijuca — Foto: Leo Martins/Agência O Globo Com um alívio no custo dos alimentos, os preços ao consumidor brasileiro tiveram alta de 0,16% em junho, após avanço de 0,58% em maio, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número veio bem abaixo da estimativa pelo mercado, cuja mediana das projeções reunidas pelo Valor Data apontava alta de 0,31% no mês. A queda de 0,25% do grupo Alimentação e bebidas, que tem peso importante no orçamento das famílias, foi o que ajudou a compensar a pressão trazida pelo grupo Habitação, que subiu 0,63%, puxado por aumentos na conta de luz. Por isso, o resultado abaixo das projeções. A conta de luz continuou pressionando a inflação em junho, mas com menos força do que no mês anterior. A alta da energia elétrica residencial desacelerou de 3,67% em maio para 1,53%. O avanço reflete a manutenção da bandeira tarifária amarela, além de reajustes aplicados por distribuidoras em Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte e da retomada de um reajuste nas tarifas de uma concessionária do Rio. Para os próximos meses, o comportamento da inflação deve refletir forças em sentidos opostos. Em agosto, o preço da energia deve ter um alívio com a entrada do bônus de Itaipu nas contas de luz. Já os alimentos podem voltar a pressionar o índice caso se confirme a formação do El Niño no segundo semestre. Meteorologistas do Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), espera que o fenômenom seja um dos mais fortes em mais de 75 anos. Alimentação em casa tem primeira queda desde novembro O grupo Alimentação e bebidas teve a primeira queda desde novembro do ano passado e a maior desde setembro. A alimentação no domicílio, que reúne os produtos consumidos dentro de casa e responde pela maior parte do grupo, caiu 0,39%, após alta de 1,65% em maio. Tiveram queda os preços do café moído (-3,72%), das frutas (-1,58%) e das carnes (-0,64%). No lado das altas, destacam-se o feijão-carioca (8,31%) e a batata-inglesa (3,57%). E o Banco Central? O resultado fez o índice de preços ao consumidor amplo (IPCA) acumulado em 12 meses ficar em 4,64%, abaixo dos 4,72% dos 12 meses imediatamente anteriores. Embora a indique uma perda de fôlego da inflação, o índice segue acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é de 3%, com tolerância até 4,5%, o que ainda limita o espaço para uma postura mais branda da política monetária.