0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Edifício sede do Banco Central em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência Globo Mais enxuta e direta, a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, veio mais precisa e com sinais maiores de percepção de desaceleração da economia. Para os economistas, embora o documento não dê uma indicação direta sobre o próximo movimento, a leitura predominante é de um novo corte de juros em setembro. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia que, apesar de o Copom reforçar a necessidade de manter os juros elevados e de destacar o processo de desancoragem das expectativas de inflação, a ata traz sinais de desaceleração da economia, especialmente nas projeções para 2028, o que abre espaço para uma redução adicional da Selic. — Os termos colocados na ata, especialmente em relação ao mercado de trabalho, dão essa sinalização de que a gente pode ter uma queda adicional na próxima reunião. E há o reforço de que choques de oferta não devem provocar mudanças na política de juros quando seus efeitos sobre a inflação são apenas de primeira ordem. O tema geral da ata, no final, foi de que há espaço para uma acomodação adicional na próxima reunião. Obviamente, isso não foi formalizado nem sinalizado de forma explícita, mas acho que, mais do que o comunicado da semana passada, a ata abre espaço para um corte de 0,25 ponto percentual na próxima decisão — afirma. O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, pondera que o balanço assimétrico de riscos limita a extensão desse ciclo de cortes. — A ata fala que existe uma assimetria nos riscos. Basicamente, o que temos são expectativas de inflação acima da meta, influenciadas por choques, preocupação com a inflação de serviços, dúvidas em relação ao comportamento do câmbio, que refletem um cenário global de maior aversão ao risco, além de dúvidas fiscais domésticas e a possibilidade de estímulos do governo reacelerarem a atividade econômica. Como o BC faz o exercício quantitativo com seu modelo e chega a uma inflação de 3,2% com a Selic em 13,75%, aparentemente estaria confortável para cortar mais uma vez os juros na reunião de setembro. Mas, claramente, não daria para ir muito além de 13,75% por causa desse balanço de riscos e da possibilidade de novos choques — explica o economista. Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o corte de setembro deve ser o último movimento de juros do ano. — Novembro e dezembro combinam a volatilidade do calendário eleitoral com um El Niño de intensidade forte a muito forte, o que reduz a margem para novas quedas de juros.
Ata do Copom abre espaço para novo corte de juros em setembro, dizem economistas
Ata do Copom abre espaço para novo corte de juros em setembro, dizem economistas








