0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A Esplanada dos Ministérios em Brasília — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo Os gastos do governo que não entram no resultado primário — como os desembolsos relacionados a linhas de crédito, aportes e fundos — acabam ficando menos visíveis nas contas públicas. A reportagem de Fabio Graner, publicada no GLOBO, lança luz sobre essas despesas financeiras, que chegaram a R$ 149 bilhões no primeiro semestre. Estudo dos economistas Matheus Rosa e Lívio Ribeiro, da consultoria BRCG, mostra que o custo financeiro de operações que, à primeira vista, não parecem representar uma despesa definitiva para o governo. É o caso, por exemplo, dos repasses ao BNDES: o dinheiro é emprestado pelo banco de fomento e, em tese, retorna aos cofres públicos. Mas, para disponibilizar esses recursos, o governo tem um custo financeiro. O mesmo ocorre em programas como o Minha Casa, Minha Vida e em medidas de socorro adotadas durante a crise provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul. Também entram nessa conta iniciativas de apoio às empresas afetadas pelo tarifaço americano e o financiamento de veículos para motoristas de aplicativo, por exemplo. São desembolsos relacionados principalmente a linhas de crédito e aportes em fundos. E não se trata aqui de o gasto ser meritório ou não, e de estar ou não submetido às regras do arcabouço fiscal, mas o impacto que tem sobre a dívida pública. Nessa conta a questão, portanto, não é apenas quanto o governo desembolsa, mas também quando vai receber de volta e o gasto que terá para financiar esses recursos. Segundo o levantamento da BRCG, essas despesas financeiras cresceram muito e somaram cerca de 1% do PIB no primeiro semestre, o que é um gasto alto. Quando se fala em resultado primário, a conta considera as receitas e despesas do governo antes do pagamento dos juros da dívida. É uma medida importante para avaliar o esforço fiscal, mas não captura todos os movimentos que afetam a dívida pública. Uma operação de crédito, por exemplo, pode não representar um gasto primário, mas ainda assim gerar um custo financeiro para o governo e aumentar a dívida pública. E é aí que está a preocupação: a dívida pública já ultrapassou 80% do PIB. Dez entre dez economistas têm alertado que o próximo governo, seja qual for o vencedor da eleição, terá de enfrentar um ajuste fiscal.
Custo financeiro do governo está fora do gasto primário, mas dentro da conta da dívida pública
Custo financeiro do governo está fora do gasto primário, mas dentro da conta da dívida pública










