0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O edifício do Banco Central, em Brasília — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 30/06/2026 - 11:41 Déficit do Setor Público no Brasil Atinge Recorde de R$ 1,26 Tri O déficit nominal do setor público brasileiro atingiu um recorde de R$ 1,26 trilhão nos 12 meses encerrados em maio, impulsionado por uma alta nos gastos e juros elevados. O crescimento do déficit, em mais de R$ 300 bilhões, é atribuído à piora no resultado primário e à escalada da conta de juros. Com a combinação de juros altos e despesas aceleradas, o Brasil pode enfrentar ajustes fiscais pós-eleições. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O setor público já completa uma sequência de nove meses com déficit nominal (o conjunto de receitas e despesas incluindo juros) acumulado acima de um trilhão de reais. E, mais grave, o quadro tem se agravado em uma velocidade que impressiona. Segundo os dados do Banco Central divulgados na manhã desta terça-feira, o saldo de todas receitas e despesas do governo marcou um resultado negativo de R$ 1,26 trilhão nos 12 meses encerrados em maio. Há um ano, o déficit estava em R$ 922 bilhões. Em termos nominais é novo recorde, ainda que em proporção do tamanho da economia tenha havido números piores no passado, especialmente na pandemia. O crescimento de mais de R$ 300 bilhões nessa conta, que é o que efetivamente afeta a dívida pública, é causado por dois fatores: a piora no resultado primário (aquele sem os juros) e a escalada da conta de juros. No caso do primário, o pagamento antecipado de precatórios (sentenças judiciais) piora a estatística no curto prazo, ainda que esse efeito tenda a se dissipar no segundo semestre, quando os pagamentos do ano passado entrarem na estatística de 12 meses. Mas há também uma execução orçamentária mais acelerada nessa primeira metade do ano mirando as eleições. Com esses dois elementos, o saldo antes dos juros já piorou praticamente em R$ 100 bilhões, fechando maio com resultado negativo de R$ 149 bilhões em 12 meses. O verdadeiro peso pesado, contudo, é a conta de juros do setor público. Há seis meses essa rubrica registra valores superiores a R$ 1 trilhão e, desde dezembro, o saldo acumulado em 12 meses já piorou em cerca de R$ 120 bilhões. A taxa básica de juros, nos patamares mais elevados dos últimos 20 anos nesse período, foi decisiva. A queda a conta gotas iniciada em março não traz muito alívio porque os títulos não atrelados à Selic, com prazos mais longos, seguem com juros pressionados pela alta incerteza no mercado e o risco de inflação. Quando se olha a conta de juros e seus impactos no déficit nominal e na dívida, sempre aparece aquele debate sobre se o problema fiscal é decorrente de gastos excessivos do governo ou por conta de uma política monetária mais restritiva. Efetivamente, o governo, depois de uma forte expansão em seu primeiro ano e meio, tinha segurado seus gastos entre o segundo semestre de 2024 e a primeira metade de 2025, enquanto a Selic estava na marca de 15% ao ano. Ao longo do segundo semestre do ano passado e acelerando nesse ano, porém, a gestão Lula pisou no acelerador, temendo uma desaceleração muito intensa da economia às vésperas da eleição, especialmente em um cenário no qual o BC foi segurando o início dos cortes dos juros. No fim das contas, 2026 mostra uma combinação perversa para as contas públicas: juros elevadíssimos e gastos acelerados. Talvez no segundo semestre, com as restrições eleitorais impondo um ritmo menor de crescimento de gastos (e os efeitos estatísticos dos precatórios se dissipando), além de juros um pouco menores, o quadro fique menos dramático. Mas, com um déficit nominal se aproximando de 10% do PIB e tanto as dívidas brutas como líquida crescendo nos ritmos atuais, o Brasil dificilmente escapa de um encontro com um programa de ajustamento após as eleições. É preciso fazer isso mirando os dois lados da equação (primário e juros) e ainda pensando em alguma fórmula na qual o crescimento econômico não caia demais e atrapalhe o processo. Se isso é possível, é outra história.
Com juros estratosféricos e gasto no acelerador, déficit do setor público tem novo recorde: R$ 1,26 trilhão
Com juros estratosféricos e gasto no acelerador, déficit do setor público tem novo recorde: R$ 1,26 trilhão














